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Petróleo: a revolução do xisto norte-americano

Estados Unidos destronam Arábia Saudita na produção

“Angola será afectada caso os Estados Unidos continuem a apostar na produção de petróleo de xisto”. O alerta é dado por José de Oliveira, especialista em energia. A explicação é simples: o petróleo extraído do xisto é, tecnicamente, considerado como leve e doce, com pouco teor de enxofre. Precisamente como o petróleo que os Estados Unidos importam de Angola e da Nigéria. “Os dois países podem ficar sem o cliente americano”, avisa José de Oliveira, para quem Angola sairá mais prejudicada: “A Nigéria tem a vantagem de poder vir a ocupar o lugar que pertencia a Líbia no mercado europeu.”
A revolução do xisto, como já é chamada, fez com que os Estados Unidos fossem, em 2014, o maior produtor de petróleo do mundo, ultrapassando a Arábia Saudita e a Rússia. A contabilidade é feita pela BP no seu “Statistical Review of World Energy 2015”, relatório de periodicidade anual, publicado desde 1951, que é considerado como a Bíblia da indústria da energia. A liderança norte-americana não acontecia desde 1975 e a produção de petróleo de xisto fez disparar a produção dos Estados Unidos para 11,6 milhões de barris diários, batendo o recorde de 11,3 milhões que datava de 1970. A maior economia do mundo passou também para o primeiro lugar da produção total de energia (petróleo + gás natural), posição que era ocupada pela Federação Russa.
A produção norte-americana de petróleo aumentou ao ritmo de 1,6 milhões de barris por dia, no que foi o maior crescimento a nível mundial e ainda a primeira vez que um país aumentou a produção de mais de um milhão de barris diários em três anos consecutivos. E tudo graças ao milagre do xisto. Em 2014, os gastos dos Estados Unidos na extração do chamado “shale oil” foram de 120 mil milhões de dólares, o dobro em relação ao verificado cinco anos antes. No total, a produção de petróleo nos EUA aumentou sete vezes desde 2007. O crescimento da produção petrolífera fez também reduzir a importação: em 2014, os norte-americanos importaram menos de metade do pico registado em 2005. E, assim, os Estados Unidos deixaram de ser o maior importador de petróleo do planeta. A “honra” pertence, agora, à China. A importância para a economia dos Estados Unidos é evidente: em 2007, as importações de energia valiam quase metade do défice, que se situava nos 5%. Em 2014, equivalem a 1% do PIB norte-americano.

Leia mais na edição n.º 3 do jornal Mercado, do grupo Media Rumo, nas bancas a 16 de Junho de 2015

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