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Adorno, não. Competência, sim

A mulher tem de provar em dobro

As mulheres partiram com atraso para o mercado de trabalho e “ainda hoje, em demasiados países, continuam a ser cidadãos de segunda”, alerta o secretário-geral das Nações Unidas. Angola será um deles? Há pouca estatística para analisar o assunto. Mas está à vista de todos que a maioria dos PCA – presidentes dos conselhos de administração – das grandes empresas ainda continua a ser homens. Por exemplo, em Portugal, no PSI-20, que é o principal índice bolsista lusitano, elas representam menos de 5% do total dos administradores e, no entanto, se olharmos para aquele país como um todo, elas representam 60% da força laboral. Mais: segundo o Ministério do Trabalho luso, as mulheres
recebem, em média, menos 18,5% de salário do que os homens.
“É mais fácil uma mulher ganhar a Lotaria (jogo de sorte popular no hemisfério norte) do que chegar a CEO”, diz Deise
Leobet, investigadora e directora de Business Development e Marketing da IE Business School, escola de negócios em Madrid, Espanha.
A questão é tão desafiante que já chegou às telas de cinema por várias vezes. Uma das últimas foi pela voz da actriz Sarah Jessica Parker, consagrada no pequeno e grande ecrã pela série e o filme O Sexo e a Cidade. Mas não vamos falar desse filme. Vamos falar de outra película cujo título em português é Não Sei como Ela Consegue e na qual Sarah
tem o papel principal. Encarna uma executiva atarefada, que tem de fazer das tripas coração para gerir o trabalho, a família e os filhos. As cenas não parecem ficção… mas pura realidade.
Na vida real, as mulheres continuam a ter a seu cargo o trabalho doméstico e a educação dos filhos. O tempo investido, e bem investido, no lar e na família sobrecarrega uma agenda já por si cheia de compromissos. Pelo contrário, sobra tempo ao homem para viagens, reuniões fora de horas e tempo para alimentar o networking e o lobbie. Além disso, a carreira das mulheres desacelera, geralmente, no momento da maternidade, e para voltar ao trilho certo e em ritmo acelerado a mulher terá de provar em dobro para que, um dia, mereça a confiança dos seus accionistas e seja a eleita para número um.
Feito esse caminho, que pode ser mais moroso e trabalhoso para a mulher do que para o homem – e nesse aspecto os especialistas de recursos humanos estão de acordo –, é também um caminho de aprendizagem e consolidação forte de competências que poderá fazer da mulher executiva uma competidora de alto nível, pronta para provas olímpicas dentro de uma organização. Por uma questão de justiça, de competência, de meritocracia e de governance, impõe-se que as palavras diversidade, igualdade e oportunidade passem a estar no topo das prioridades das empresas. O resto, é fazer. É trabalhar e provar, todos os dias.

Rosália Amorim
Directora Executiva da Media Rumo

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