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Arquitectura e paixão

A qualidade espacial é de enorme importância para o ser humano

Tendo como definição de arquitectura a arte de projectar, conceber e edificar todos os espaços e ambientes onde o ser humano vive, ela, per si, está na base da nossa vivência quotidiana.
Consideremos então que a arquitectura se torna numa espécie de arte conceptual da espacialidade onde objectivamos viver, habitar, trabalhar e visitar. Esta espacialidade passa pelo desenho e concepção dos espaços exteriores, pelo paisagismo, pelo desenho urbano e pelo desenho de espaços contidos como habitações, escritórios sempre com uma determinada ordem e organização expressiva. É nesta organização espacial, no desenho, no grafismo, na técnica, na criatividade e na sua interligação, que reside o pensamento arquitectónico.
Façamos então uma reflexão sobre a criação destes espaços e as sensações para onde estes nos transportam.
A qualidade espacial, muitas vezes esquecida por quem concebe, é de enorme importância para o ser humano, sendo nestes espaços que passamos toda a nossa vida. Estes espaços criam em nós sensações que poderão visitar da mais profunda paixão ao amor-perfeito, tornam-se num referencial de imagens. Todos se recordam certamente de momentos vividos aqui e ali (espaços de referência) ligados a uma determinada sensação, a uma determinada memória.
Falar de arquitectura não se trata de falar de estética nem de imagens – cada ser humano tem o seu ideal. Todos nós temos as nossas reservas memoriais de espaços que nos fizeram sentir bem e de outros que possivelmente não visitaremos mais, uma espécie de identidade espacial.
Numa linguagem arquitectónica, é fundamental que haja qualidade espacial, que os espaços que criamos se traduzam em sentimentos e sensações, transportando para a sociedade actual a paixão pelos materiais e texturas empregues pela luz controlada e utilizada, que nestes espaços criados pelo homem este sinta o mesmo amor e o mesmo conforto que por uma paisagem natural produziria na nossa mente.
Falar de arquitectura, afinal, trata-se de falar de amor e paixão, dos espaços que suscitam em nós sentimentos e sensações que nos apaixonam, de linhas e traços erguidos que nos fazem amar o dia-a-dia, pois a arquitectura está em todo o lado. Aprimoremos então todos a nossa capacidade crítica e analítica sobre os espaços que criamos, visitamos e até mesmo onde vivemos.
Bons traços e boa luz.

Pedro Berardo
Arquitecto

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