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Portugal e Angola são parceiros perseverantes

A economia angolana é neste momento um dos destinos mais importantes das exportações portuguesas. São exportados regularmente em volumes consideráveis equipamentos e maquinaria pesada, produtos agroalimentares, medicamentos e muitos outros bens relevantes que os angolanos se habituaram a consumir com a elevada qualidade.
Recentemente e fruto da conjuntura internacional, principalmente devido ao impacto da redução de preço do petróleo surgiram inúmeras notícias relativas aos constrangimentos gerados nos pagamentos, transferência de divisas, risco de crédito e muitas outras dificuldades. Parece-me a mim que são dificuldades normais e previsíveis, provavelmente exponenciadas pela situação macroeconómica.
A permanência no mercado com um projeto de médio e longo prazo, sabendo que a economia tem ciclos de contração e de desenvolvimento, deve acautelar de forma sustentada os possíveis imponderáveis para que estes não influenciem irreversivelmente as estratégias de internacionalização dos seus promotores.
Assim, apenas concebo este receio relativamente a empresas que aproveitam as oportunidades de mercado de curto prazo especulando e portando assumindo um risco elevado.
Por isso mesmo, não acredito nos sinais contraditórios que ouvimos sobre a escassez de medicamentos em Angola, um bem essencial e fundamental numa sociedade em desenvolvimento como a angolana.
Portugal é provavelmente um dos maiores parceiros de Angola neste segmento e as empresas nacionais que pretendem estar de forma estruturada neste país, com parceiros sólidos locais, antecipam este momento como um ciclo normal da economia angolana. Não é difícil gerir em tempos de crescimento, difícil é gerir em tempos de contração. Pelo que acredito que não existirão ruturas anormais de medicamentos em Angola, até porque existem já empresas angolanas estruturadas e organizadas para superarem este momento. Por outro lado, as empresas Portuguesas têm de entender que exportar não é o mesmo que internacionalizar, e que a internacionalização pressupõe uma estratégia firme sustentada numa capacidade financeira robusta. Angola deve continuar a ser encarado como um país com grande potencial de crescimento onde as alianças estratégicas e parcerias são fundamentais para o desenvolvimento socioeconómico.
É nos momentos difíceis que os “verdadeiros amigos” fazem a diferença.
Em conclusão, as empresas portuguesas que veem Angola como um parceiro de longo prazo assente num projeto de desenvolvimento sustentado vêm nesta crise uma oportunidade de reforço da confiança e consolidação de parcerias, apostando no país africano e mantendo a estratégia delineada nos anos de maior crescimento.
Gostaria de frisar que empresas socialmente responsáveis regidas por rigorosos códigos éticos são obviamente sensíveis a estes momentos mais conturbados e certamente não deixarão de prestar o seu contributo para a manutenção da saúde pública em Angola.

Nelson Pires
Diretor-geral da Jaba Recordati

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