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Afinal a procura de petróleo sobe ou desce ?

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a Agência Internacional de Energia (AIE) divergiram nas previsões sobre a procura de hidrocarbonetos em 2016, com a primeira a estimar um aumento e a outra uma redução.

A OPEP projectou que a procura do petróleo produzido pelo grupo será maior que o inicialmente estimado, conforme sustenta a estratégia de que a queda dos preços afectará a oferta dos Estados Unidos e de outros rivais, reduzindo o excesso global.

No seu relatório mensal, a OPEP calculou que a procura mundial pelo petróleo do cartel no ano que vem fique em 30,82 milhões de barris por dia (bpd), uma alta de 510 mil bpd face à projecção anterior.A previsão da OPEP, se confirmada, seria mais uma indicação que a sua estratégia está a funcionar. No ano passado, o grupo recusou defender os preços e aumentou a produção a fim de elevar a sua participação no mercado, destaca a Reuters.

A oferta de fora da OPEP deve diminuir em 130 mil bpd em 2016, indica o relatório, com a produção a cair em África, Estados Unidos, ex-União Soviética, Médio Oriente e grande parte da Europa. No mês passado, a organização previu um crescimento de 160 mil bpd.

Dados divulgado no relatório indicam que, em Setembro, a produção da OPEP aumentou em 109.200 bpd face a Agosto, com a angolana a subir em 22 mil bpd, a do Iraque 80.100, Nigéria 34.600 e Emirados Árabes Unidos 24.300.

A respeito dos preços, o relatório lembra que o barril do Brent foi vendido a uma média de 47,61 dólares no mês passado, um leve aumento em relação à média de Agosto. Já o preço médio do barril nos EUA foi em Setembro de 45,48 dólares, 2,71 mais que em Agosto, e a do barril de referência da OPEP foi de 44,83 dólares, 0,63 cêntimos menos que no mês anterior.

Os preços médios em 2015 destes três barris de petróleo de referência estão acima dos 50 dólares, mas ainda muito distantes da média de 2014, de 106,57 dólares o Brent, 99,7 o West Texas Intermediate e 103,78 o da OPEP.

Agência de Energia

A Agência Internacional de Energia (AIE) antecipa uma desaceleração mais forte que a esperada no crescimento da procura de petróleo em 2016 devido às previsões económicas menos optimistas, mas aumentou ligeiramente a sua previsão da procura para este ano.

A AIE, que representa os países compradores de petróleo, prevê agora uma procura de 94,5 milhões de barris por dia (bpd) até ao final de 2015, um aumento de 1,8 milhões de bpd face ao ano anterior e o mais alto em cinco anos, impulsionado principalmente pelos preços baixos. No entanto, o crescimento da procura deverá abrandar para 1,2 milhões de barris diários no próximo ano para atingir um total de 95,7 milhões de barris por dia, contra uma previsão anterior de 95,8 milhões de barris por dia. “Por enquanto, os preços baixos do petróleo estão a apoiar um forte crescimento da procura. Os principais consumidores, os Estados Unidos e a China, estão a comprar mais crude, um aumento de 1,8 milhões de barris diários, o mais elevado em cinco anos”, diz a AIE no seu relatório mensal.

“Apesar deste aumento, as perspectivas são piores para o próximo ano”, adianta o documento, apontando um horizonte mais nebuloso para a economia mundial e também numa indefinição do efeito preço.

No início de Outubro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) baixou a previsão de crescimento mundial em 0,2 pontos percentuais para 2015 e 2016, ou seja, 3,1 e 3,6 por cento respectivamente. A procura de petróleo abaixo do esperado, combinada com o aumento das exportações de petróleo iraniano em caso de levantamento das sanções internacionais, deverá manter uma situação de excesso de oferta no próximo ano, apesar da desaceleração acentuada na produção de países não pertencentes à OPEP, sublinha a AIE.

O relatório indica que a produção mundial de Setembro foi de 96,60 milhões de bpd, com uma queda em países não pertencentes à OPEP, como os Estados Unidos, compensada por um aumento dos membros da organização.

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