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“Desde a independência, o desenvolvimento da banca foi bastante significativo”

Entrevista a Natalino Lavrador

NA COMPANHIA DE MAIS DOIS IRMÃOS, FEZ PARTE DOS TÉCNICOS do processo conhecido por “Tomada da Banca” e é o actual PCA do Banco Comercial do Huambo.
A história da banca angolana começou com a chamada “Tomada da Banca”, a 14 de Agosto de 1975. Do seu ponto de vista, quais foram as principais transformações que se verificaram no sistema bancário angolano ao longo deste período?
Desde a data da independência, o desenvolvimento da banca angolana, até ao actual momento, foi bastante significativo. Aliás, em todo o mundo a banca evoluiu, devido sobretudo ao rápido desenvolvimento da tecnologia, principalmente nas áreas da informática e comunicações.
A “Tomada da Banca” foi motivada pelo momento político ou o sistema macroeconómico assim o exigia?
A “Tomada da Banca” foi efectuada porque a situação política assim o exigia. Ainda no decorrer do Governo de Transição, o qual integrava elementos do Governo Português, MPLA, UNITA e FNLA, foi realizada uma intervenção na banca por parte da Secretaria de Estado das Finanças, cuja pasta pertencia ao MPLA, sendo Saidy Mingas, o secretário de Estado. De facto, estavam a ocorrer movimentos anormais de saída de capitais, pelo que se justificava a referida intervenção. No entanto, a intervenção foi mais política do que técnica, pois ainda estávamos longe da data da independência.
Eu era bastante jovem e quadro superior da Inspecção de Crédito e Seguros (o meu primeiro emprego). De referir que a Inspecção de Crédito e Seguros era o supervisor da banca e dos seguros e traçava a política monetária e cambial, sendo o Banco de Angola apenas o banco emissor do Estado. A Inspecção de Crédito e Seguros e o Banco de Angola estavam na dependência da Secretaria de Estado das Finanças.
Em determinado dia, Januário Rodrigues, inspector-geral de Crédito e Seguros, chamou alguns técnicos para intervirem nos bancos. Coube-me intervir no Banco Pinto & Sotto Mayor, apoiado por dois técnicos bancários com grande experiência provenientes da banca comercial, ambos do Banco Comercial de Angola.
A nossa actuação era passiva, tendo em conta o contexto político, apenas tomávamos conhecimento das operações mais significativas. No entanto, a situação política cada vez mais se agravava e a nossa posição nos bancos passou a ser quase irrelevante. Recebemos, então, ordens superiores para abandonarmos os bancos.

Leia mais na edição n.º 19 da Revista Rumo

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