Connect
To Top

“Estabelecemos a soberania sobre a nossa riqueza petrolífera”

Entrevista a José Oliveira

Especialista em questões energéticas e colaborador para a energia do CEIC/UCAN (Centro de Estudo e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola), José Oliveira estima que ao longo das quatro décadas desde a independência foram investidos cerca de 150 mil milhões de dólares no sector petrolífero.
O que de mais marcante aconteceu no sector em 40 anos?
Estabelecemos a soberania sobre a nossa riqueza petrolífera – como diz o meu amigo Lago de Carvalho –, controlada pela concessionária nacional – a Sonangol, que foi legalmente fundada em 1976 –, multiplicámos por 10 as reservas iniciais de petróleo e a produção média diária com base em investimentos de quatro décadas de mais de 150 mil milhões de dólares, maioritariamente estrangeiros, gerando a principal fonte de riqueza de suporte à nossa independência.
A chegada da paz ao País coincidiu com o período de maiores receitas, que de 2002 até 2014, segundo o Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, atingiram 467 mil milhões de dólares, a um ritmo anual que não se deve voltar a repetir. Importa referir que o enorme volume de investimento estrangeiro só foi possível porque, desde 1975, adoptámos uma política pragmática – abertura ao capital e tecnologia ocidentais – e uma estabilidade contratual sem paralelo no mundo, pois fomos o único país que não precisou de alterar o equilíbrio do seu Contrato de Partilha de Produção (CPP) nem quando os preços baixaram em meados dos anos 80 até ao final dos anos 90, nem quando subiram a partir de 2004 até recentemente.
Infelizmente, esta estabilidade contratual que tanto nos beneficiou tem vindo a ser beliscada nos últimos tempos com decisões vindas dos lados da Mutamba, as quais mostram desconhecer a importância do equilíbrio dos principais parâmetros económico-financeiros de um contrato de pesquisa e produção de petróleos que tem de funcionar por mais de 10 anos, ou seja, desde que se investe para descobrir petróleo até que a produção pague o investimento total. Já bem basta as incertezas no mercado internacional! Mas este é um risco que o funcionamento de um bom contrato atenua. Aliás, por isso só alterámos o nosso CPP para o melhorar e adaptar às águas profundas, nos anos 90. Corrigimos também um dos parâmetros financeiros que nos era desfavorável no contrato do bloco 0 após negociações com a Chevron.
Em 1976, a capacidade de produção era de 175.000 b/d. A produção actual é de 1.800.000 b/d. Será que se trata do crescimento possível? Poder-se-ia crescer mais?
Em 1975, com os dados disponíveis à época, o melhor que se poderia esperar era uma duplicação da produção para níveis de 300.000 b/d com base no potencial das águas rasas à volta do Soyo, nomeadamente na área sul do bloco 2 e norte do bloco 3, onde nos anos 80 se realizaram as maiores descobertas em águas rasas – Palanca, Pacassa e Lombo Este –, fora Cabinda.

Leia mais na edição n.º 19 da Revista Rumo

You must be logged in to post a comment Login