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O nosso ‘petróleo’, aquele que está no interior de cada um

Nós, enquanto cidadãos, devemos focarmo-nos na resiliência e no trabalho

Todos nós ficamos baralhados ao ler tantas previsões acerca dos preços do barril de petróleo. Enquanto cidadãos e enquanto gestores, chegam a causar-nos desgaste, preocupação e até, muitas vezes, sofremos por antecipação. Mas dar notícias é isso mesmo, e não vale a pena matar o mensageiro! Vários indicadores de mercado apontam para alguma estabilização dos preços, mas os analistas dos bancos de investimento continuam a prever mais e mais quedas. Só variam na violência do trambolhão. O banco de investimento Morgan Stanley está a prever uma queda até aos 20 dólares e, mais pessimista, o Standard Chartered diz que não fica de parte a hipótese da queda até aos 10 dólares por barril, o que seria terrível para muitos países produtores e exportadores, como Angola.
A derrocada do preço do petróleo deve-se, sobretudo, ao facto de a OPEP – Organização de Países Exportadores de Petróleo aparentemente nada estar a fazer para reagir ao excesso de oferta, isto é, recusando-se a cortar na produção do ‘ouro negro’. Mas a pressão está a aumentar para que isso venha a acontecer, sobretudo por parte da nossa vizinha e concorrente Nigéria e, do outro lado do oceano Atlântico, da Venezuela. Se juntarmos a tudo isto o facto de chegar ao mercado já algum petróleo produzido no Irão – que era o segundo maior exportador de ‘ouro negro’ antes da aplicação das sanções, já que o primeiro é a Arábia Saudita –, então a equação ainda fica mais difícil de resolver.
Precisamente a Arábia Saudita, a Rússia e os Estados Unidos da América estão hoje a dominar o mundo poderoso, geoestratégico e geopolítico do petróleo. Quem o diz e sublinha é o Citigroup, numa análise recentemente publicada. “Destes três gigantes, dois deles – Rússia e Arábia Saudita – são os chamados ‘petro-Estados’, que estão a viver grandes dificuldades económicas, com uma necessidade urgente de diversificar as economias, e que estão, em lados opostos, em conflitos envolvendo a Síria e o Irão”, lê-se no mesmo documento do banco. O Citigroup acredita, portanto, que está a acontecer “uma competição forte entre a Rússia e produtores do Médio Oriente, que deverá prolongar-se por muitos anos”. Uma espécie de luta de boxe. E para já, à data de fecho desta edição, é difícil antecipar qual vai ganhar o troféu. Olhando para o ringue onde decorre este combate, resta-nos centrar no nosso ‘petróleo’ interior, que para o nosso País pode ser representado pela agricultura e ainda pelos diamantes e que para cada um de nós, enquanto cidadãos e homens e mulheres de negócios, pode ser representado pela resiliência, pela gestão da mudança, pelo foco no trabalho e, por fim, mas não menos importante, pela esperança.

 

Rosália Amorim
Directora executiva da Media Rumo

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