Connect
To Top

Depois da bonança…

Estamos no início de mais um ano, o País atravessa um período muito difícil e, embora certo poeta tenha escrito que a ideia de dividir o tempo em fatias tenha sido genial, pois resultou na industrialização da esperança, parece-me que esta esperança escasseia.
O alarme soou, um “nome” surgiu, e torna-se cada vez mais popular, de norte a sul do País, e até mesmo em quase todo o globo, fala-se muito numa tal de crise.
Crise, para abordarmos determinado assunto, seja em debate, palestra ou em qualquer outro fórum, é-nos recomendado defini-lo primeiro, nem que seja pelo menos para estarmos certos de que falamos da mesma coisa, e quando falamos de definição nada melhor do que irmos à origem da coisa. Então aqui vai:
Etimologicamente falando, a palavra “crise” vem do grego krisis e era usada pelos médicos antigos com um sentido particular: quando o doente, depois de medicado, entrava em krisis, era sinal de que haveria um desfecho – a cura ou a morte. Logo, crise significa separação, decisão, definição.
A vida, seja ela no contexto próprio, económico ou em qualquer outro, é feita de ciclos, altos e baixos, e à fase que separa um ciclo do outro dá-se o nome de crise. Não que o nome seja bonito ou feio, esta é a designação, e ponto final, mas a verdade é que não há razão para sustos, ou melhor, talvez haja, mas não para tanto.
Albert Einstein dizia: a criatividade nasce da angústia, assim como o dia nasce da noite escura, é na crise que nascem as invenções, grandes descobrimentos e estratégias, quem supera a crise supera-se a si mesmo e quem desiste ante ela respeita mais os problemas do que as soluções.
Podemos então concluir que atravessar uma crise é ser chamado a fazer escolhas, é definirmos o nosso posicionamento face aos desafios que se nos colocam, rever as nossas práticas no quotidiano, e, se formos bem-sucedidos, valerá sempre a pena. Certamente que se lembram do provérbio que diz “depois da tempestade vem a bonança”, mas estou convicto de que nunca ouviram dizer que “depois da bonança vem a tempestade”, pois é, se tivermos em conta que a vida não é feita de “altos e altos” nem de “baixos e baixos”, viveremos com os pés bem assentes, e não nos vamos exceder quando estivermos sob a bonança nem muito menos entraremos em pânico quando estivermos sob a tempestade. Votos de boa crise.

Olavo Silva Ferreira
Director-geral da DOSF Investimentos

You must be logged in to post a comment Login

  • Há um elefante na sala e…

    Se há elefantes na sala, meus caros, há que transformá-los em formigas. Seres mínimos, mas trabalhadores, que o máximo que nos...

    apedroSeptember 7, 2017
  • Correr com uma mochila às costas!

    Em matéria de impostos, é função de um bom pastor tosar suas ovelhas, mas não tirar o seu couro.” Tibério, Imperador...

    apedroSeptember 7, 2017
  • Mineiros na mira do investimento

    Já se preparam estudos de viabilidade do projecto mineiro siderúrgico da Cerca, que abrange os municípios de Golungo Alto, e onde...

    apedroAugust 25, 2017
  • Descomplicar a tributação

    Os números da tributação no País revelam que 64% num universo de três mil empresas são incumpridoras fiscais, ou seja, 1918...

    apedroJuly 24, 2017