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Cuatrecasas e Uría fazem assessoria do CaixaBank e Isabel dos Santos nas negociações no BPI

Depois de uma curtas férias da Páscoa, os assessores voltam a tentar um entendimento entre os dois accionistas do BPI.

A notícia de que tinham entrado em negociações foi avançada pela Bloomberg, no dia 1 de Março, e a notícia de que as negociações tinham sido rompidas foi comunicada na quinta-feira, 24 de Março, à noite, pelo Caixabank ao regulador espanhol. Uns dias depois, a 27 de Março, o Jornal de Negócios avançava que as negociações iriam ser retomadas. E foram.

Entretanto, justamente no mesmo dia em que se ficou a conhecer a ruptura das negociações entre catalães e angolanos, Maria João Ricou, managing partner do escritório em Lisboa da Cuatrecasas, e Jorge Brito Pereira, da Uría e Menendez, reuniram na CMVM para uma longa reunião com os reguladores onde explicaram os motivos da discórdia, sob o olhar atento do representante do Estado, Diogo Lacerda Machado. O Governo de António Costa, através deste emissário, tem tentado contribuir para um entendimento, adianta o Diário Económico.

Depois de uma curtas férias da Páscoa, os assessores voltam a tentar um entendimento entre os dois accionistas do BPI, a tempo de cumprir o prazo que o BCE dá para se encontrar uma solução para o BPI reduzir a exposição a Angola, 10 de Abril.

Com as contas feitas, não vão partir do zero nestas negociações. Todas as fontes assumem que um acordo passa pela venda, por parte do BPI (que usou os advogados internos do banco) dos 50,1% do BFA em Angola, à Unitel de Isabel dos Santos, ou a compradores escolhidos por si, e em troca a Santoro vende os 18,58% que tem no BPI à Caixabank, eventualmente com uma clausula de tag-along para que o angolano BIC venda também os seus 2,28% no banco liderado por Fernando Ulrich.

Os valores em causa estão identificados pelas partes. As contas feitas pelo Diário Económico, com a ajuda do Banco Carregosa, permitiu estimar que o BPI pretendia receber entre 600 a 700 milhões por vender 50,1% do BFA, tendo por referência o preço oferecido de 140 milhões de euros, por Isabel dos Santos, pelos 10% do banco angolano,  aquando da apresentação de uma alternativa ao spin-off dos activos angolanos proposto pela equipe liderada por Fernando Ulrich.

Por seu turno, a Santoro poderia receber entre 310 e 400 milhões pelos 18,58%. O preço de referência seria o da OPA do Caixabank no ano passado (1,329 euros por acção). Nessa altura o Caixa Bank anunciou que estimava cerca de 130 milhões de euros de sinergias em poupanças de custos (cerca de 25% da base total de custos) a materializar-se nos primeiros 2 anos a seguir à aquisição (100 milhões de euros só no primeiro ano). “Se aplicarmos o mesmo múltiplo simples (0.9x P/tNAV) com base no activo líquido do BPI ao final de 2015, temos um preço potencial de 1.38€/acção, ou seja, 100% do BPI vale 2 mil milhões de euros”, estimou o Carregosa.

Mas é preciso não esquecer que na altura a administração do BPI considerou o preço baixo e propôs um que era 70% acima (2,26 euros por acção). Não sabemos se essa consideração foi tida em conta nos valores financeiros que estavam em cima da mesa.

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