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Saber e saber fazer

“Se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância.” Derek Bok

Com crise ou sem crise, em Angola festa é festa! Num dos convívios típicos entre várias gerações, fiz a clássica pergunta a um dos miúdos: “Quando cresceres, o que queres ser?” Um grande sorriso respondeu: “Consultor, tia!” “O quê!?” “Sim, tia, consultor. Ganham bué, estou sempre a ouvir que precisam de consultores…”
Respirei fundo e pensei: …hum! Um sinal do mercado. O mercado vive de factores produtivos para criar riqueza e quando não encontra internamente os inputs vai activamente à procura para que a sua rentabilidade não baixe. O mercado de trabalho em Angola está ávido de talentos, ávido de pessoas que saibam e sobretudo que saibam fazer. Pois são estas que criam valor acrescentado dentro dos timings, numa altura em que se esperam resultados.
O tema não é a consultoria em Angola, mas sim um tema maior, o da criação de capacidades internas. Formação, formação, formação; educação, educação, educação, não é um erro ortográfico ou engano na impressão, é apenas a necessidade de insistir na importância destes dois ingredientes que sem eles todo o resto cai… Não pensemos que precisamos apenas de um ingrediente, não! Não! Os dois ingredientes são a verdadeira chave do sucesso. Pois, para além das competências técnicas, é muito importante que as competências comportamentais existam, pois sem uma atitude correcta e ética tudo, mais tarde ou mais cedo, também cai…. Os países prosperam com educação (família, valores, respeito, ética), com formação académica e profissional nas escolas, nos institutos, nos centros profissionais, nas universidades, etc., com matemáticas, ciências e letras, enfim, com livros e professores! Educação gera civismo e a formação gera eficiência na atitude cívica e profissional, quer nas questões de saneamento do meio, saúde e higiene básica, quer nas questões económicas e financeiras.
Concordo com o ex-presidente da Universidade de Harvard, Derek Bok, que defende que todos os tempos são bons tempos para se investir na educação e formação. Permito-me ir mais longe, defendendo a ideia de que a formação e a educação são temas de soberania nacional. Sem o saber e o saber fazer não se quebram as amarras da dependência. Custa muito caro formar e leva tempo! Totalmente de acordo, mas o custo da ignorância é ainda mais alto em tempos de crise, muitas vezes por não se “saber” como sair da crise.
Angola precisa de políticas para alavancar as parcerias, as consultorias e as alianças estratégicas para uma dimensão de transferência de conhecimento, de know how, que permaneça. É preciso que o conhecimento fique em Angola e fique com qualidade. A educação e a formação são e serão sempre o investimento certo quando se prima por qualidade, porque com coragem e criatividade servem de base para se “dar a volta por cima”. Quem sabe, assim, criamos uma política de transferência de conhecimento para que um dia um grande sorriso me responda: “Quando for grande quero saber fazer…” E será um sorriso cheio de confiança que será realmente capaz de saber e saber fazer.

Naiole Cohen dos Santos
Economista/MBA em Finanças

* Naiole Cohen dos Santos é a colunista mensal responsável por assinar esta crónica.

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