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Empresas de petróleo e gás: gerar valor via canais digitais

Nos últimos tempos tem -se verificado uma queda acentuada dos preços do petróleo. Por essa razão, as empresas deste sector procuram melhorar a eficiência da gestão perante a volatilidade do mercado, face à redução significativa do preço do crude. As tecnologias digitais oferecem lhes oportunidades não só de reduzir custos, bem como de redesenhar as suas operações de forma a prosperar num mercado instável. Contudo, os recursos financeiros e temporais são limitados e a pressão para agir de forma decisiva cresce com a persistência da crise. Actualmente, a maioria das empresas petrolíferas tem vindo a adoptar medidas de redução de custos e cancelamento de alguns projectos estruturantes. Apesar destas acções, as empresas petrolíferas têm sentido dificuldades em melhorar a eficiência devido às restrições da actual estrutura organizacional, um legado de tecnologia e métodos tradicionais.

Hoje em dia, a generalidade das empresas, se não todas, começa a reduzir os custos tradicionais. Todavia, este tipo de estratégia não garante a 100 % o seu crescimento no futuro. É por esse motivo que as tecnologias digitais podem ajudar. No recente estudo da Accenture The 2016 Upstream Oil and Gas Digital Trends Survey, a redução de custos foi identificada como o desafio mais importante que o digital pode ajudar a resolver. Essa conclusão foi mencionada e partilhada por 72% dos entrevistados e cerca de 91% revelaram estar a obter valor das suas iniciativas digitais. Por outro lado, mais de metade (53%) dos executivos entrevistados disseram que este valor foi significativamente elevado.

As maiores oportunidades de redução de custo a curro prazo, no sector petrolífero, estão a ser implementadas em algumas áreas, incluindo o ST, onde os modelos de cloud as-a-service estão a reduzir os custos de infra estrutura, nas operações em que a mobilidade está a reduzir custos e a aumentar a produtividade do trabalhador e no terreno, onde a tecnologia e a Internet das coisas (Internet of Things) estão a ajudar a optimizar as operações de activos e a reduzir custos.

BIG DATA/ ANAIYTICS, INTERNET DAS COISAS

Segundo o estudo da Accenture, ao longo dos próximos três a cinco anos os profissionais de petróleo e gás acreditam que o foco incidirá em áreas que oferecem maior valor a longo prazo, ajudando-os a tomar decisões melhores e mais rápidas. O foco estará em tecnologias corno big data/ayalytics, Internet das coisas e no aperfeiçoamento da robótica, wearables e inteligência artificial, que têm um forte potencial de crescimento. Estas tecnologias digitais irão ajudar as empresas de oil & gas a oferecerem maior valor a longo prazo em áreas como:

– Centros de operação de activos, onde a Internet das coisas e o analytics permitirão que os activos sejam geridos em sistemas integrados individuais;

– As operações no terreno, onde os profissionais se tornarão ainda mais eficientes usando wearables e tecnologia interligada:

– Os próprios activos, onde as operações que utilizem automação, robótica e inteligência artificial irão mudar a forma como o trabalho é realizado.

Embora essas áreas possam trazer valor acrescentado, ainda se encontram numa fase embrionária. As empresas de exploração e produção têm a oportunidade de criar ainda mais valor ao redesenharem os seus processos de negócio, operando com recurso a uma base de custos completamente diferente, mais eficaz e muito mais ágil. As mesmas podem, assim, transformar os modelos operacionais tradicionais e pressupostos de longa data sobre estruturas de organização, gestão da força de trabalho, estratégia de activos e seu lugar na cadeia de valor.

GANHOS SIGNIFICATIVOS DE EFICIÊNCIA E REDUÇÃO DE CUSTOS

Transversalmente a todas as principais funções do upstream, as empresas de exploração e drilling podem alcançar ganhos significativos de eficiência e redução de custos através de tecnologias digitais. Na área de drilling, a evolução da automação continuará. No terreno, os profissionais estarão equipados com tablets e dispositivos portáteis, que permitirão realizar inspecções digitais de equipamentos de forma mais rápida que as inspecções manuais tradicionais, economizando tempo e dinheiro sem sacrificar a segurança. Ao redesenhar esses fluxos de trabalho, as empresas de exploração e perfuração têm a oportunidade de tornar estas funções mais ágeis e eficientes, com custos mais baixos.

Nas operações, a tecnologia digitai oferece a oportunidade de gerir todos os poços com a mesma intensidade de dados e foco com que as maiores plataformas de petróleo e gás são geridas hoje, e fazê-lo a um custo insignificante. Avanços em sensores de baixo custo, em comunicações de rede e plataformas de dou d numa escala gigante significam que ao longo do tempo todos os poços podem ser digitalmente instrumentados e geridos. Como o custo incremental para gerir um grande número de poços diminui, as empresas podem considerar diferentes estratégias de propriedade de recursos. Este tipo de transformação digital já está a ocorrer nas indústrias de equipamento industrial e nas indústrias de retalho de bens duráveis. Outras indústrias, incluindo a dos serviços bancários e serviços públicos, também estão a transformar digitalmente o seu backoffice. Particularmente as empresas de petróleo e gás prevêem reduzir os custos desta função, adoptando tecnologias digitais adicionais e implementando novos modelos de negócio, centrados no cliente e com o menor custo possível.

O DIGITAL AGORA OFERECE OPORTUNIDADES E INOVAÇÃO

Finalmente, ao longo de toda a cadeia de valor o digital está a redefinir os limites e os players tradicionais. E isto não é menos verdade para as organizações de upstream; as mesmas têm hoje mais opções sobre que partes da cadeia de valor querem deter vs. alavancar outros players no ecossistema, tais como empresas de serviços petrolíferos ou novas empresas de serviços digitais em áreas como ciências de dados avançados. As empresas de upstream têm sido pioneiras, inovando e superando as expectativas através do uso da tecnologia. O digital agora oferece novas oportunidades para, simultaneamente, inovarem e se posicionarem nestas novas condições de mercado voláteis. E com o ritmo da mudança tecnológica cada vez mais acelerado, agir com o suporte de tecnologia para obter vantagem digital torna- se um imperativo, e não uma opção.

Paulo-Dinis-net
Paulo Dinis é Director-geral da Accenture Angola , este artigo faz parte da revista Rumo

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