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Pokémon Go, um sonho que levou 20 anos a construir

John Hanke era até agora um desconhecido.Mas este génio revolucionou o mundo das aplicações e dos jogos.

Foi lançado apenas em alguns países mas já bateu todos os recordes. É o jogo mais descarregado de sempre, ultrapassando o Candy Crush, e já possui mais utilizadores diários activos que a plataforma Twitter. Conseguiu destronar aplicações como o Snapchat, Facebook, WhatsApp, Messenger e Instagram.

Ganhou também ao Tinder e nos primeiros dias que esteve no mercado foi a palavra mais procurada no Google dos Estados Unidos, superando pela primeira vez a palavra “sexo”. Todo este fenómeno foi engendrado por um homem: John Hanke. Mas não se pense que foi num passe de mágica que tudo aconteceu. Não.

Foram precisos 20 (!) anos para fazer nascer o Pokémon Go.

Tal como todos os génios do sector tecnológico, John Hanke é um homem discreto e continua a deslocar-se diariamente ao escritório da Niantic Labs, empresa de realidade aumentada com sede em São Francisco, da qual é director executivo, com a mesma disciplina de sempre. E é a ela, e à sua persistência, que desde Abril a empresa já facturou 200 milhões USD. Fez um MBA em Berkeley – depois de trabalhar para o Departamento de Estado dos EUA. Ainda enquanto era estudante, em 1996, John foi co-autor daquele que seria o seu primeiro jogo multiplayer online, a que deu o nome de Meridian 59. Acabou por vender o jogo a uma empresa – a 3DO – para se dedicar à sua verdadeira paixão: mapear o mundo.

Em 2001, co-fundou a Keyhole, uma empresa de cartografia digital e de imagens de satélite. O objectivo era desenvolver um método para conjugar mapas com imagens aéreas. E conseguiu, criando o primeiro mapa aéreo 3D do mundo, com localização por GPS. Este feito chamou a atenção da Google – que acabou por comprar a empresa, em 2004, por 35 milhões USD. Mas a Google não quis só comprar a tecnologia ali desenvolvida. O gigante tecnológico queria, isso sim, garantir a colaboração de John Hank. E conseguiu-o.

De facto, entre 2004 e 2010, Hank foi o responsável pela equipa de Geo-localização do Google, que criou aplicativos como o Google Maps e o Google Street View. E foi com a sua experiência que hoje temos disponível em todas as plataformas o Google Earth. “Quando a equipa foi formada, fiquei surpreso. Nunca havia visto um grupo de trabalho tão coeso, motivado e divertido”, explica Bernardo Hernández, primeiro director de marketing mundial do Google e que esteve responsável pela divisão de mapas.

Hernández garante que Hanke executava os projectos que imaginava “com uma facilidade assustadora”.

Em 2011, sob a supervisão de Marisa Mayer – que um ano depois viria a deixar a Google para se tornar directora executiva do Yahoo! –, Hanke ganhou liberdade e apoio para seguir os seus intentos. Movido pelo desejo de conseguir que as pessoas abandonassem os ecrãs dos computadores e fizessem algum exercício, Hanke conseguiu convencer Mayer a tornar realidade o que tinha na cabeça: a fusão entre os videogames e a realidade aumentada (a integração de informações virtuais a visualizações do mundo real).

John Hanke cria, então, a Niantic Labs – uma espécie de startup fundada pela própria Google, destinada unicamente a desenvolver jogos baseados em mapas. Com a transformação do Google em Alphabet, há apenas um ano, Hanke conseguiu mais independência. A Niantic, agora, é uma empresa separada, com participações do Google, da Nintendo e da The Pokémon Company.

Após uma experiência, quase em jeito de brincadeira, realizada em Abril de 2014, percebeu que a possibilidade de os utilizadores encontrarem pokémons dentro do Google Maps era cativante para as pessoas, deu início a um caminho que o levaria a conseguir – entre Dezembro de 2015 e Fevereiro de 2016 – juntar 25 mi-lhões USD da Google, Nintendo, The Pokémon Company e outros investidores, para montar a equipa de 40 pessoas que lançou o jogo Pokémon Go em Julho de 2016.
Passados apenas dois meses, é dos maiores fenómenos à escala global e, como tal, sujeito a muitas invejas e críticas. John Hanke mantém a serenidade e explica como teve “sorte”. “Sim, foi um sucesso que surgiu da noite para o dia… depois de 20 anos de trabalho”, escreveu.

Uma frase que também ela já entrou para a galeria das mais utilizadas em Silicon Valley. O que John Hanke quer mesmo reforçar é que não há varinhas mágicas e ninguém constrói fórmulas de sucesso sem que para isso tenha trabalhado afincadamente.

Por Fernanda Mira 

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