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Nem 8 nem 80

Durante muitos anos no período soviético, e mesmo vários anos após o fim dessa era e após a queda do Muro de Berlim, acreditou-se nas virtudes da economia planificada e dos planos quinquenais. Acreditava-se que planificando a economia, com uma forte intervenção do Estado, se conseguia controlar o comportamento dos agentes económicos.

Os planos quinquenais foram, na prática, um instrumento económico implantado por Estaline na antiga União Soviética (URSS), sobretudo com o objectivo de estabelecer prioridades para a produção industrial e agrícola do país para períodos de cinco anos.

Visando tornar a URSS autossuficiente, neles se determinavam as metas, por sector económico, do que seria investido e o do que seria produzido. Considerava-se um crime contra o Estado o não cumprimento das metas de produção estabelecidas.

O primeiro plano quinquenal, desenvolvido de 1928 a 1932, teve como principal objectivo criar as bases da economia socialista, com foco na agricultura e nas cooperativas, passando ainda pela indústria. O segundo plano quinquenal, desenvolvido de 1933 a 1937, privilegiou a indústria pesada. O terceiro plano quinquenal, de 1940 a 1945, não chegou a ser concluído, tendo sido interrompido pela Segunda Guerra Mundial. Com todos os seus defeitos, em vésperas da guerra, a URSS já era a terceira maior potência mundial.

Provou-se mais tarde que, com o avanço do liberalismo económico e com o domínio dos mercados, esses planos eram limitativos e atrofiantes. Nos tempos modernos passou a gerir-se ao trimestre. Com o acentuar da crise financeira, a gestão trimestral passou a mensal, depois a diária… e hoje até, por vezes, é feita ao minuto. Ora, nem 8 nem 80!

Nos ciclos económicos, políticos e sociais de hoje em dia, para um país como Angola, o grande desafio é voltar a ter esperança e colocar a fasquia alta, traçando objectivos a médio e longo prazo.

Já não digo que se recupere o velho plano quinquenal – até porque não é nesse dogma nem nesse modelo que queremos estar, viver ou trabalhar –, mas é necessário que se pense mais no futuro, no tal médio e longo prazo. Pensemos, com o máximo foco e todas as nossas energias, naquilo que queremos para o nosso amanhã, para o amanhã dos nossos filhos. Se não, seremos devorados por quem tem expectativas curtas e não sabe gerir – seja nas empresas, seja nas nações – senão uma escassa tesouraria de curto prazo.

Por Rosália Amorim 

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