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Brexit e o custo para a Europa de fragmentar serviços financeiros

O Pwc efectuou um estudo sobre por que razão o Brexit é uma questão crítica não só Inglaterra mas para toda União Europeia.

Após a fase de reacções ao resultado do referendo que ocorreu no Reino Unido no passado mês de Junho, no qual os britânicos se pronunciaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (comummente conhecido por Brexit), as atenções estão centradas agora nas negociações sobre a forma como será concretizado o processo de saída e nos acordos que serão estabelecidos entre as partes.

Do lado do Reino Unido, existe um foco especial nos impactos que o Brexit poderá ter na indústria de serviços financeiros, especialmente devido ao papel crucial que o Reino Unido, e concretamente a City de Londres, desempenham enquanto centro financeiro regional e global.

De uma forma geral, aquele papel, enquanto centro financeiro, está dependente da facilidade com que as empresas da indústria de serviços financeiros (empresas do Reino Unido, sucursais ou e filiais de empresas estrangeiras) realizam as suas operações dentro do mercado comunitário. Assim, a grande preocupação para este sector, no seguimento do Brexit, passa pela perda do acesso livre ao mercado europeu, o que acarretaria, muito possivelmente, perdas significativas.

As empresas do sector financeiro estão já a trabalhar no sentido de se prepararem para os impactos que o Brexit poderá implicar na sua normal actividade, utilizando os seus próprios casos como argumentos nas negociações em curso, por forma a manterem a sua carteira de clientes, o livre acesso ao mercado comunitário ou para desenvolverem planos de contingência.

Contudo, o Brexit não será apenas uma preocupação para o Reino Unido, mas também para toda a União Europeia. Enquanto que as empresas localizadas no Reino Unido beneficiam do livre acesso ao mercado europeu, também as empresas europeias beneficiam do acesso ao mercado financeiro britânico e, consequentemente, ao mercado financeiro global.

A indústria de serviços financeiros está fortemente sujeita a mecanismos de regulação e as operações entre os vários países estão condicionadas pelo reconhecimento mútuo dos regimes de regulação existentes à escala global. No seio da União Europeia, o Reino Unido emergiu como o principal centro financeiro, em parte devido ao reconhecimento dos mecanismos de regulação financeira que a adesão à União Europeia proporciona. No seguimento deste reconhecimento, em 2015, os restantes países da União Europeia importaram do Reino Unido o valor de 31 mil milhões de euros relativos a serviços financeiros. Este forte fluxo verificado em 2015 é o retrato da confiança que o mercado europeu tem na indústria de serviços financeiros britânicos, que é composta por empresas locais, sucursais e filiais de entidades estrangeiras, empresas de serviços profissionais (serviços jurídicos, consultoras, auditoras), quadros especializados, propriedade física e intelectual, para além da capacidade de supervisão já instalada.

O Brexit pode implicar o reequilíbrio abrupto na indústria dos serviços financeiros, fragmentando a sua capacidade de produção e distribuição do Reino Unido para a União Europeia, originando ameaças à estabilidade e eficiência do sistema financeiro europeu e, consequentemente, à economia europeia e ao bem-estar financeiro dos cidadãos europeus, numa altura em que a economia europeia (incluindo a britânica) se depara com dificuldades de crescimento

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