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Países do G20 acusados de jogar “sujo”

A conferência das Nações Unidas sobre o clima, COP22, foi inaugurada a 7 de Novembro, em Marraquexe, com a missão de concretizar os compromissos assumidos no ano passado pela comunidade internacional em Paris na sua luta contra o aquecimento planetário.

Denominada de Acção, a COP 22 está a servir também para mostrar as dificuldades que serão encontradas no objectivo de articular os interesses económicos das grandes potenciais e a necessidade de redução dos gases.

No dia 14 de Novembro, por exemplo, os países do G20 foram acusados de estar a “jogar dos dois lados” na sequência da apresentação dos resultados de um estudo sobre a produção do carvão, divulgado pelo Conselho de Defesa dos Recursos Naturais e pela Oil Change International (OCI)

Denominado “A Armadilha do Carbono: Como a Economia Internacional do Carvão Prejudica o Acordo de Paris e a Implantação das Energia Limpa”, o estudo revela que nos últimos nove anos, os países do G20 – liderados pela China, Japão, Alemanha, Coréia do Sul e Estados Unidos – investiram cerca de 76 mil milhões de dólares no desenvolvimento do carvão em países como o Vietnã, a África do Sul, a Austrália e a Indonésia.

“Nosso clima sabe: os países não podem jogar dos dois lados. Eles não podem publicamente se vangloriar de reduzir a poluição do clima em casa, enquanto continuam a financiar enormemente o carvão no exterior”, alertou o co-autor do relatório, Han Chen, defensor internacional do clima no NRDC.

Continuando apelou para a necessidade destes países “pararem de desperdiçar bilhões de dólares em energia suja e colocar mais força financeira nas energias limpas e renováveis e também na eficiência energética. Isso criará empregos e protegerá o planeta da catástrofe climática “.

O Japão e a China são os dois países que mais financiaram projectos de carvão com 25 e 21 mil milhões, respectivamente, seguindo-se a Alemanha e a Coreia do Sul com 9 e 7 mil milhões respectivamente.

“O Japão e a China são ambos líderes em tecnologia de energia renovável, mas ao invés de aumentar sua participação no mercado de energia limpa, eles estão optando por sufocar o planeta ao apoiar dezenas de novas usinas a carvão em todo o mundo”, destacou Alex Doukas, activista sénior da OCI. Para ele, “cumprir os compromissos do acordo climático de Paris significa se afastar rapidamente dos combustíveis fósseis, mas o uso de escassos recursos públicos para financiar novas usinas de carvão pela China e pelo Japão está levando o mundo na direcção oposta”.

Por seu turno, os três principais países beneficiários do financiamento de projetos de carvão do G20 são a Indonésia com 11 mil milhões de dólares, Vietnã com 10 mil milhões e a África do Sul com 7 mil milhões. Ou seja, dos dos quais também fazem parte do G20: Indonésia e África do Sul.

O estudo considera a situação ainda mais preocupante, tendo em conta o projecto de novos investimentos, estimando em cerca 24 mil milhões. A liderança é do Japão com investimento previsto de cerca de 10 mil milhões, seguindo-se a China com 8 e a Coreia do Sul com 2 mil milhões de dólares.

Outra preocupação manifestada prende-se com o facto de os países de baixa renda receberam menos de 2% do financiamento internacional do carvão do G20, contrariando a tese, segundo a qual as finanças públicas para o carvão se destinam a ajudar os países mais pobres a expandir o acesso à energia frequentemente apresentada. Os países de renda média e alta foram os que mais beneficiaram do referido financiamento.

Por César Silveira

 

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