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Aliar talento e tecnologia é a chave para crescer no mundo digital

Aos 40 anos, é responsável por fazer chegar comida a tempo e horas à casa de 14 milhões de pessoas em todo o mundo.

David Buttress é o CEO da Just Eat, uma aplicação para telemóvel para encomendar um takeaway.O serviço está disponível a partir de 64 mil restaurantes, presente em 13 mercados – do Brasil à Austrália – e com 14 milhões de utilizadores em todo o mundo. E o número mais impressionante: no ano passado, a companhia foi responsável pela entrega de 100 milhões de pedidos, entre saladas, pizas ou frango. Estes números tornam a Just Eat na maior empresa de comida takeaway online da Europa.

E tudo começou com… entrega de jornais no País de Gales. “O meu irmão mais velho conseguiu um emprego a entregar jornais de um jornal local”, conta.

“E quando eu tinha 11 anos, disse ao meu pai: ‘Eu não quero fazer isso – eu quero comprar os jornais e fazer distribuição sozinho’”, lembra Buttress numa entrevista ao jornal inglês The Telegraph. E o jovem David fez exactamente isso, conseguindo maximizar os lucros ao comprar os jornais por atacado e indo de porta em porta, perguntando aos moradores locais se estavam interessados numa entrega matinal em suas casas. Garantiu a fidelidade de 150 casas, entregando em média 260 exemplares. Este foi o primeiro sinal de que estávamos perante um espírito empreendedor. E que veio a dar frutos passados 30 anos.

Ainda recorrendo à família, uma âncora na vida do CEO, garante que recolheu da mãe o maior ensinamento e que tenta lembrá-lo diariamente: “A minha mãe costumava dizer-me: ‘Podes fazer qualquer coisa desde que o decidas fazer.’ Isto é algo que está realmente dentro de mim.”

E esta certeza nas suas convicções levou-o a criar uma empresa de forma sustentada. “Quando olho para trás, há 10 anos, quando estávamos a começar a Just Eat, queríamos construir algo que fosse realmente uma empresa que atingisse os mais altos patamares”, conta Buttress, vincando: “Nós éramos igualmente ambiciosos, na medida em que quisemos construir uma companhia global e que fosse um sucesso de tecnologia produzida no Reino Unido.” E conseguiu de forma simples.

A Just Eat cobra uma comissão pelos pedidos feitos através do seu site e aplicativo, e deixa a entrega da comida a cargo dos restaurantes.
Como as pessoas passam cada vez mais tempo das sua vidas online, a assistir a filmes na Netflix ou a fazer compras na Amazon, a Just Eat tem aproveitado este crescimento das vendas. No ano passado, gerou uma receita de 247,6 milhões de libras (cerca de 309 milhões USD), o que representa um aumento de 58% em relação a 2014. Os lucros cifraram-se na ordem dos 34,6 milhões de libras (cerca de 43 milhões USD). Hoje, a empresa está cotada no FTSE 250. Buttress cresceu nos arredores de Cardiff e deixou Gales aos 18 anos para estudar Direito e Negócios na escola de negócios da Universidade de Middlesex. Depois de se formar, juntou-se à Coca-Cola, no Reino Unido. E daí retirou fortes ensinamentos. “O que eu adorei, antes de mais, foi ter tido a oportunidade de estar num um ambiente altamente competitivo”, sustenta, acrescentando: “Adorei este tipo de cultura de empresa, porque podes trabalhar muito, mas, se apresentares resultados, estes são reconhecidos. Existe uma verdadeira meritocracia.”

Agora, é tempo de pensar na concorrência, que é cada vez m ais feroz, já que quer a Uber quer a Amazon estão a dar os primeiros passos na distribuição de comida. Buttress tem a preocupação necessária para estar atento a estas movimentações, mas pensa: “Temos 10 anos de know–how. Espero que isso valha algo.”
E para sustentar esta sua convicção, volta onde tudo começou. Se na adolescência o seu negócio de entrega de jornais estava limitado pelo número de casas do bairro, logo com clientes em quantidade limitada, a Just Eat ainda tem muito espaço para crescer. É que o mundo é enorme. Trata-se , garante, de “construir uma grande empresa que resista ao teste do tempo”.

Para quem vive do online, resta acrescentar que a primeira compra online do CEO foi em 1999: bilhetes para um concerto dos Oasis.

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