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Luís Todo Bom: “Não tem que haver conflitos entre o conselho de administração e a comissão executiva”

No próximo dia 7 de Dezembro, o Banco Keve realizará uma conferência sobre governação corporativa, centrada no papel dos administradores não executivos, uma figura que muitas empresas, no País, começam a adoptar. Luís Todo Bom será o orador e nesta entrevista fala sobre o tema.

Quais são as principais diferenças entre o modelo dual– com conselho de administração (CA) e comissão executiva (CE) – e aquele em que há apenas um órgão de gestão?

O modelo dual, anglo-saxónico, comporta um conselho geral e uma comissão executiva. No modelo que hoje é usado em quase todas as organizações há um CA – de onde resulta uma CE –, que tem um chairman(PCA), um presidente da CE (PCE) e um conjunto de administradores executivos e não executivos. E o papel dos administradores não executivos tem vindo a ser realçado, mais especificado, e actualmente todas as instituições de acompanhamento do corporate governance olham para eles com muita atenção.

Qual a vantagem deste modelo?

O CA distingue-se da CE em alguns pontos. É ele quem tem a supervisão (auditoria, compliance e risco), as decisões sobre compra e venda de acções próprias, aquisições, fusões ou mesmo empréstimos de montantes mais elevados e a atribuição de garantias da empresa, entre outras. Nas empresas cotadas, cabe ao CA zelar pelos interesses de todos os accionistas, incluindo os pequenos, que não estão representados nos órgãos de gestão.

Nas empresas do Estado, são também os administradores não executivos que ‘controlam’ a CE e o risco da organização… Na banca, este modelo é quase universal.

Porquê?
Porque na banca as áreas de auditoria, compliancee risco são áreas cruciais. Também as comissões de remunerações ou de prémios de gestão, por exemplo, são geralmente presididas por um administrador não executivo independente.

Este modelo está já generalizado na banca angolana?

Sim, aliás o próprio BPC o aplica.

Ou seja, o maior controlo da CE pelos administradores não executivos é a principal mais-valia…

Sim, mas há mais. Como os administradores não executivos não estão presentes no dia-a-dia da empresa, têm uma visão mais externa e alargada da organização e do próprio negócio e, portanto, podem contribuir, nas discussões no CA, para uma visão mais isenta e mais autónoma da evolução da própria empresa. Claro que isto exige que esses administradores tenham valências diferentes e que sejam quadros seniores, com experiência de gestão, de vida empresarial e de mundo!

Saiba mais, na nova edição da Revista Rumo, já nas bancas. 

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