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Como gerir o day after

Indra Nooyi, Ceo da Pepsi Co, acordou na manhã pós-eleições americanas com os resultados eleitorais numa mão e uma avalanche de perguntas das suas funcionárias e da suas próprias filhas na outra: “Are we save here?”,indagavam. Estariam salvas num país agora governado por um Presidente que as considera como o sexo fraco ou, como o próprio diria, “bimbas” e “patetas”?

Nesse mesmo dia, nessa mesma manhã, o Ceoda Starbucks, Howard Schultz, escreveu um e-mail poderoso aos seus 170 mil partners a partilhar o seu sentir: “Como americanos, devemos honrar o processo de democratização. Temos um Presidente eleito e é nossa responsabilidade como cidadãos dar-lhe a oportunidade de governar. Confio em vós e em tudo o que há de bom no nosso país.

Acredito que todos encontraremos o melhor de nós para conduzir o país pelo caminho merecido.” Uma carta emotiva, quase escrita para os seus próprios botões, de alguém que apoiou Clinton e que deixa ler nas entrelinhas o receio pelo futuro dos estados Unidos.

Nessa mesma manhã, Trump, o candidato surpreendentemente (ou não!) eleito, dirigia-se aos seus 14 milhões de seguidores via Twitter numa mensagem em que anunciava, num tom completamente diferente do tom insidioso com que pautou a sua campanha, que iria ser o Presidente de todos os americanos, que iria mudar a sua retórica e que até estava orgulhoso dos protestos de rua – apesar de contra a sua eleição -, porque mostravam paixão pela América.eu acordei com uma mensagem de uma amiga jornalista: “Foi eleito o mais estúpido, mas também o mais genuíno.” Gerir o day after e todos os days afters que se seguirão não será uma tarefa fácil para os Ceo‘s americanos. Nem para o mundo. Um Presidente sem rede a gerir um país é como um chairman de uma multinacional sem noção da importância dos seus stakeholders.

Como irá lidar com a China, depois de ter dado ao seu cão o nome da primeira-dama chinesa? Como lidar com a Bélgica, depois de a apelidar de uma aldeia algures na europa? Yes, Mr. President, nenhum homem é uma ilha. ou então o mundo tem os princípios virados do avesso e a América ficará orgulhosamente só. Cortes nos impostos foi uma promessa sua.

Fim aos imigrantes ilegais foi um statement. etratados de comércio internacionais assinados no passado estão neste momento em cheque. Será que os assessores económicos de Trump o deixarão ir em frente quando assumir a Casa Branca, em Janeiro próximo? ou será aconselhado a moderar o tom, como no Twitter? A Ceoda Pepsi Co não conseguiu responder a metade das perguntas que lhe foram feitas. “We just have to let life go on”, aconselhou.

Por Nilza Rodrigues

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