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A evolução do cartel

Análise Semanl do Banco Atlântico.

Ao longo dos últimos 55 anos, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo tentou, com graus variados de sucesso, influenciar omercado mundial de petróleo. Faremos, com base em informações divulgadas pelo Wall Street Journal, uma breve resenha histórica da evolução do cartel.

Setembro 1960: Nascimento da OPEP

A organização foi criada em Setembro de 1960. O Irão, o Iraque, o Kuwait, a Arábia Saudita e a Venezuela reuniram-se em Bagdá e criaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo numa altura em que o mercado petrolífero internacional era dominado por um grupo de empresas multinacionais conhecidas como as “Sete Irmãs”, decisão que marcou uma mudança de paradigma a favor do controlo estatal sobreos recursos naturais.

Em Junho de 1967: A primeira tentativa
Em 1967, o cartel tentou exercer influência sobre os preços mas sem sucesso. A tentativa resulta da reacção dos exportadores árabes depetróleo à vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias com um embargo contra os EUA, Grã-Bretanha e Alemanha Ocidental. A medida só não tevesucesso devido a elevada quota de mercado não-OPEP.

Em Outubro de 1973: Novo Poder Emergente

Os produtores árabes da OPEP lançaram um embargo contra os aliados de Israel na guerra de Yom Kippur com impacto sobre o mercado internacional da commodity, influenciando inclusivamente o preço do petróleo dos EUA que aumentara de 3 USD por barril para 13 USD porbarril em Março de 1974, quatro vezes o seu preço inicial.

1979: Revolução no Irão

O poder da OPEP foi testado após o Mohammad Reza Shah Pahlavi ser forçado a deixar o cargo no Irão e o Ayatollah Khomeini ter chegado aopoder. Os preços do petróleo subiram de cerca de 14 USD por barril para mais de 35 USD por barril influenciados pela contracção da oferta.

Março de 1982: Preços

Em 1982, a OPEP introduziu quotas obrigatórias e aumentou o estoque na tentativa de baixar os preços e estimular a procura. A partir desta
data, para a generalidade dos observadores do sector, o grupo destaca-se e identifica-se como um cartel de fixação de preços.

1986: Crash dos preços

Um excesso de petróleo impulsionado pelo aumento da produção do Mar do Norte e do Alasca levou a um crash (quebra) de preços. A OPEP acelerou a produção na tentativa de reconquistar parte de mercado, mas os preços baixos persistiram por uma década.

1997-1999: Interpretação errónea do mercado

Os ministros da Opep acordaram em elevar seu tecto de produção em 10% sem levar em conta a menor procura gerada pela crise financeira asiática. Os preços do petróleo voltaram a cair. A OPEP cortou a produção duas vezes em 1998, juntamente com os países não membros daOPEP, o México e a Noruega. As tentativas não conseguiram travar a queda dos preços, levando a uma terceira rodada de cortes em Março de 1999.

2008: Altos e Baixos

Os preços do petróleo quebraram a barreira de 100 USD por barril, levando a uma reunião de emergência entre as nações consumidoras eprodutoras da Arábia Saudita. O reino prometeu bombear mais para atender a procura dos clientes, entretanto os preços mantiveram atendência para o aumento, o que os sauditas culparam aos especuladores do mercado. Os preços atingiram alta de todos os tempos de 147,27USD o barril, tendo reduzido significativamente após a crise financeira. Mais tarde, a OPEP anunciou um corte recorde na produção e os preçosestabilizaram.

2011: Reinos da desarmonia

Uma agreste reunião da OPEP em Junho não conseguiu produzir um acordo para aumentar a produção de petróleo, apesar dos apertados
estoques e do aumento dos preços. O ministro do petróleo da Arábia Saudita Ali al-Naimi declara que o encontro “é um dos piores encontros
que já tivemos” e promete aumentar a produção com outros membros do Golfo Pérsico. Em Dezembro, a OPEP abandonou seu sistema dequotas de produção.
Novembro de 2014: Impotente

Com os preços a cairem devido a entrada em cena dos produtores de xisto dos EUA, petróleo não convencional, os membros da OPEPrejeitaram os pedidos de cortes na produção e decidiram, em vez disso, lutar pela participação no mercado.

Novembro de 2016: O novo acordo

As consequências da decisão de aumentar a produção para preservar o poder de mercado do cartel , gerou impactos severos ao paísesprodutores, que têm sido obrigados e recorrer a elevados volumes de crédito de forma a compensar as quedas da receita. A expectativapositiva em relação ao sucesso do acordo tem melharado os preços, situando-se no intervalo entre 50 e 60 USD por barril. Por outro lado,importa destacar que para o acordo contribuirão de forma activa alguns países não OPEP com destaque para a Rússia.

O novo acordo gera expectativas para os países produtores, lesados significativamente pelos baixos preços em vigor desde 2015, e deverá serimplementado em Janeiro de 2017 com a duração de 6 meses, sendo sujeito a renovação de acordo com o interesse das partes envolvidas.

Caso se efective, poderá lançar as bases para a estabilidade do sector e, provavelmente, uma ferramenta de suporte ao crescimento daeconomia mundial.

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