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O sapateiro que se fez milionário por causa de uma sola vermelha

Expulso da escola, começou, aos 16 anos, a arranjar sapatilhas das Folies Bergère. Hoje vende 500 mil pares de sapatos por ano.

Pode uma visita a um museu fazer-nos descobrir a nossa verdadeira paixão? Pode. O homem que criou um dos símbolos mais icónicos do século e que é objecto de desejo, descobriu a sua paixão de sua vida por acidente. Tudo o que precisou foi de uma viagem a um museu. No percurso viu um sinal que indicava que, ali, não eram permitidos sapatos de salto alto. “Fiquei totalmente fascinado por aquele sinal.Nunca tinha visto sapatos como aqueles”, explicou à revista W.

Nascido em Paris, França, em 1963, Christian Louboutin nunca manifestou grande interesse pela escola. Foi o mais novo de quatro filhos – sendo o único rapaz – de um pai marceneiro e de uma mãe dona-de-casa.

Expulso da escola aos 16 anos, Louboutin foi trabalhar no famoso cabaré parisiense Folies Bergère. Ali fez todos os tipos de trabalhos para as bailarinas, incluindo a conceretização do seu próprio sonho: criar sapatos para elas. Louboutin começou, então, a dar os primeios passos nos meandros do negócio de sapatos. Mas é, no início dos anos 80 do século passado, que decidiu transformar em profissão o seu sonho e conseguiu um emprego no atelier de um dos maiores mestres sapateiros de Paris: Charles Jourdan. Aqui percebeu como funcionava a gestão de uma marca própria.

Depois de trabalhar como designer freelancer, Louboutin decidiu arriscar e abriu a sua própria loja em Paris, no início de 1990.

Foi no pequeno espaço e, uma vez mais, por acidente, que encontrou a inspiração para as suas solas vermelhas, que haveriam de se tornar marca registada em 1993. “A minha assistente estava sentada a pintar as unhas de vermelho. Olhei para ela e, assim de repente, decidi colorir as solas dos sapatos de vermelho para a criação que estava a terminar”, contou Louboutin. “Eu pensei: ‘Oh meu Deus, as solas vermelhas são tão bonitas’, e os meus clientes passaram a pedir para não as deixar de fazer”. Esta marca de distinção cedo ganhou estatuto de sensualidade e a atrair os gostos de pessoas muito influentes no espaço mediático, como por exemplo, a princesa Carolina do Monaco, uma das suas primeiras clientes e que, ainda hoje, lhe permanece fiel. Madonna foi outra das principais embaixatrizes dos seus saltos vertiginosamente altos, ajudando a apresentar Louboutin ao mundo.

Ao longo dos anos, Louboutin tem mantido um ritmo inovador e quebra todos os padrões instituídos na criação de sapatos. “Por inspiração, muitas vezes imagino uma cortesã vivendo sua vida em um circo”, explicou à revista Marie Claire. Transformou os seus sapatos de forma tão surreal que os transform«a em obras de arte e, desta forma, é o sinónimo de uma história de sucesso internacional. De acordo com o The New Yorker, ele vende mais de 500 mil pares de sapatos todos os anos. O custo de um par de Louboutins pode variar entre os 400 e os 6000 mil dólares e que podem ser adquiridos nas suas lojas espalhadas por todo o mundo, para além da sua sede em Paris.

Além de sapatos femininos, Louboutin tem expandido o seu design em malas, uma linha masculina e em produtos de beleza.

Com todo o seu sucesso, Louboutin tem sido das maiores vítimas das cópias e falsificações e criou um gabinete próprio para defender as suas criações, sendo inúmeras as acções em tribunal que move a cada ano.

Por Fernanda Mira

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