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Transformar madeira em riqueza

HabiTec quer levar a “marca Angola” a países vizinhos. Empresa do Huambo aposta em mobiliário familiar para driblar a crise

Por João Alves, do Huambo | Fotografia Flávio Neto 

Todos os dias, três ou quatro camiões rasgam as estradas do País para entregar mobiliário feito na HabiTec, Empreendimento Social, empresa de produção de derivados de madeira constituída em 2006 e efectiva no mercado desde 2012, na cidade do Huambo.

O grosso da produção é constituído por mobiliário escolar. A HabiTec fabrica, em média, 350 carteiras por dia ao ritmo actual, mas tem capacidade para chegar às 500 unidades diárias. Os níveis actuais dependem das encomendas.

Felisberto Capamba, director-geral da HabiTec, refere que nos últimos quatro anos mobilaram 1750 salas de aula em todo o País, o que fez com que cerca de 70 mil crianças vissem melhoradas as condições de ensino e aprendizagem com mobiliário da empresa.

Com 120 trabalhadores, 35% dos quais mulheres e o resto ex-militares e pessoas portadoras de deficiência, a empresa de mobiliário produz também peças para escritórios, lares e igrejas. Cerca de 80% da produção destinam-se ao mercado nacional e 20% vão para exportação.

A HabiTec quer r para a Zâmbia e a República Democrática do Congo, países onde os seus produtos são bem aceites. Por agora, o mobiliário é comercializado através de terceiros mas a empresa pretende conquistar essa franja de forma directa. “Queremos levar a ‘marca Angola’ a esses países”, afirma o director-geral. Pretende criar um canal estruturado, com a devida intervenção do Estado. Se faltar capacidade local, quer poder treinar o seu pessoal, “levar o nosso know-how”.

No plano interno, a companhia aposta na divulgação dos seus produtos. Além do acordo com o Governo para a reabilitação de escolas em todo o País, conta com um aumento da procura por parte das famílias, que representam já 55% do volume actual de negócios. Para esse segmento de mercado existem 15 produtos.

Garante que existe mercado em Angola e também matéria-prima, 85% da qual são nacionais – a madeira de eucalipto. As florestas deste tipo de árvores estendem-se ao longo das linhas férreas, sobretudo a do Caminho de Ferro de Benguela.

Plantadas para fornecer madeira para as locomotiva esforçar as exportações, sobretudo a vapor e depois para a indústria da celulose, as florestas de eucaliptos viram chegar os motores a diesel e o encerramento das fábricas devido à guerra. Por causa disso, e pelo facto de não servirem para a produção de carvão, cresceram em abundância.

Saiba mais, nesta edição de Janeiro da Revista Rumo, já nas bancas.

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