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“Os agentes económicos acreditam no País”

Rui Santos Silva é a mão invisível que concretiza dois dos maiores eventos do País na área da gestão: a Banca em Análise e os Prémios Sírius. Numa rara entrevista, faz o balanço da sua estada em Angola

Rui Santos Silva está há sete anos em Angola. E recorda connosco o que trazia na mala: motivação e confiança no País. Continua motivado e a acreditar em Angola. Discreto por natureza, gosta pouco de poses, prefere a postura. Não dá grandes entrevistas, prefere os pequenos depoimentos. E é ele a mão invisível que concretiza dois dos maiores eventos do País na área da gestão: a Banca em Análise e os Prémios Sírius. Numa rara entrevista, faz o balanço da sua estada em Angola, do estado da nação e do que podemos esperar em 2017. A visão de um consultor.

Acreditamos que o caminho crítico do desenvolvimento do País passa pela qualidade dos seus agentes económicos. Temos a ambição de contribuir de forma decisiva para a formação de uma geração de profissionais que assenta a sua prática no rigor e experiência, ao serviço das organizações nacionais. Dr. Rui Santos Silva. cito-o na página oficial da Deloitte. Sete anos em Angola.

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Qual a sua visão do País?

Continuo a acreditar que o sucesso, seja de uma organização ou de um país, se constrói fundamentalmente com talento, com pessoas. Tem sido através do seu compromisso com a qualidade, rigor e excelência que o País tem conquistado importantes metas de progresso económico e social, ganhando um lugar relevante no panorama económico internacional e reconhecimento dos agentes económicos globais. Em oito anos Angola alcançou níveis de crescimento assinaláveis em muitas áreas e sectores, com destaque para a banca e telecomunicações, avanços que levaram décadas a ser concretizados em muitos países desenvolvidos. O País deverá seguir o seu caminho, consciente da exigência dos tempos e dos desafios de contexto a que é necessário responder e para os quais os agentes económicos são também convocados.

Como analisa a adaptação de Angola à crise, quer do Estado em si, quer do gestor?

O abrandamento do crescimento mundial, a crise financeira e, mais recentemente, a crise petrolífera afectaram de uma forma generalizada os países em todo o mundo, obrigando-os a reagir, a tomar

medidas, a implementar novas estratégias e caminhos para garantir o crescimento e a sustentabilidade dos seus sistemas. Ao operar numa economia de mercado global, e estando a sua actividade económica alavancada na exportação de produtos petrolíferos, Angola acaba por sofrer as mesmas consequências e problemas que os seus pares. O País teve necessidade de acelerar o processo de diversificação económica que havia iniciado há alguns anos para se adaptar a este novo contexto, e de implementar outras medidas cambiais para acomodar as consequências desta crise. Tal como os gestores, que, face a uma realidade mais exigente e difícil, tiveram que reajustar as suas políticas e optimizar os seus recursos para assegurarem a eficiência da operação e a sustentabilidade dos seus negócios.

Como analisa a adaptação de Angola à crise, quer do Estado em si, quer do gestor?

O abrandamento do crescimento mundial, a crise financeira e, mais recentemente, a crise petrolífera afectaram de uma forma generalizada os países em todo o mundo, obrigando-os a reagir, a tomar medidas, a implementar novas estratégias e caminhos para garantir o crescimento e a sustentabilidade dos seus sistemas. Ao operar numa economia de mercado global, e estando a sua actividade económica alavancada na exportação de produtos petrolíferos, Angola acaba por sofrer as mesmas consequências e problemas que os seus pares. O País teve necessidade de acelerar o processo de diversificação económica que havia iniciado há alguns anos para se adaptar a este novo contexto, e de implementar outras medidas cambiais para acomodar as consequências desta crise. Tal como os gestores, que, face a uma realidade mais exigente e difícil, tiveram que reajustar as suas políticas e optimizar os seus recursos para assegurarem a eficiência da operação e a sustentabilidade dos seus negócios.

Com empresas a fecharem portas… é nestes períodos que se separa o trigo do joio?

O ecossistema empresarial que constitui a economia de um país é grandemente afectado por crises como esta, sobretudo quando se desenvolve à volta de um sector específico. Nem todas as empresas conseguem sobreviver aos efeitos negativos ou às ondas de choque que vão dificultando a sua gestão financeira, e naturalmente que as micro e pequenas empresas ficam mais expostas, o que não significa que percam relevância. Outras necessitam de ajuda para reorganizar o seu negócio e implementar estratégias que as permitam colocar no caminho certo e para as quais a eficiência e sustentabilidade do negócio são os pilares fundamentais.

Ainda assim, Angola tem conseguido colocar dívida pública e emitir eurobonds. Mas a inflação atingiu, em Setembro, 40% e o País ressente-se…
Angola continua a emitir dívida pública, interna e externamente, o que significa que os agentes económicos acreditam no potencial do País. A perspectiva de manutenção do baixo preço do barril de petróleo acentua a importância do reforço da capacidade de endividamento do País, determinante para o financiamento do seu processo de desenvolvimento.

Normas alternativas de financiamento da economia que não seja o petróleo; a agricultura será o caminho… Como é que, com a sua experiência, vislumbra esse cenário?

A diversificação económica foi um desígnio que o País definiu como prioritário há alguns anos e vários passos foram dados no sentido da sua concretização, tendo em vista um horizonte temporal mais alargado. Contudo, o cenário económico mundial agravou-se e Angola viu-se obrigada a reajustar a sua economia e a rever a urgência deste programa de diversificação, visto como uma das alternativas para o crescimento do País. A agricultura, tal como pescas, mas também a indústria, continuam a ser importantes neste processo, e existem hoje projectos de sucesso que atestam o potencial que estes sectores têm.

Em 2012, a Deloitte lançou o primeiro Guia Fiscal de Angola, no qual, entre outros desafios, se propunha a importância dos impostos. Considera um investimento válido face ao que existe actualmente a nível tributário?

Temos a responsabilidade de disponibilizar aos agentes económicos ferramentas úteis que ajudem ao bom desempenho do seu negócio. O conhecimento é a condição base para que as organizações sejam bem-sucedidas, e essa iniciativa tinha como propósito ajudar as empresas a cumprirem com as suas obrigações fiscais. Nesse sentido, foi um investimento acertado, como outros que temos realizado em Angola e que incluem conferências, encontros com líderes nacionais e internacionais, entre outras iniciativas de geração e partilha de conhecimento.

Já foi recebido por José Eduardo dos Santos. O que representou este encontro e o que mais o marcou na conversa?

A audiência concedida pelo Presidente Eduardo dos Santos permitiu-me conhecer um homem convicto, sereno e focado nas soluções para o País.
O Presidente motivou-nos a prosseguir o nosso caminho de compromisso com os agentes económicos de Angola e a contribuir para o seu sucesso empresarial.

Como resumiria as relações Portugal-Angola do ponto de vista institucional, económico e mesmo de relacionamento entre povos?

Há uma ligação afectiva que vai para lá dos aspectos económicos e que é materializada pela língua que partilhamos. A história comum reforça, naturalmente, os laços entre as duas nações e permite a criação de pontes de entendimento ao nível institucional e económico, mas também ao nível das relações entre os povos. Angola tem sido um parceiro económico muito relevante para Portugal, tal como Portugal em relação a Angola, e creio que continuará a ser assim.

Qual o balanço que faz da presença da Deloitte em Angola, e em África também?

A Deloitte está presente em Angola desde 1997 e o seu percurso tem sido de crescimento consistente.

Felizmente temos vindo a consolidar a nossa presença, não só através da diversificação dos nossos serviços, mas da atracção e retenção dos melhores talentos nacionais. Somos reconhecidos pela qualidade e exigência das nossas pessoas e dos serviços que prestamos, e isso deixa-me particularmente satisfeito com o caminho que já trilhámos até aqui e confiante em relação ao futuro.

Consolidadas que estão as marcas Banca em Análise e os Prémios Sírius, existem projectos para o lançamento de um terceiro produto?

As nossas iniciativas não se esgotam no Banca em Análise e nos Prémios Sírius, mas reconheço que estes possam ser os mais visíveis e com maior notoriedade no mercado. Desenvolvemos, em conjunto com os nossos clientes, parceiros e restantes agentes económicos, diversas acções, seja de partilha de conhecimento, debate, criação de soluções, e ainda estudos de tendências, que são igualmente relevantes. Estou certo de que alguns poderão ganhar mais expressão nos próximos tempos.

Por César Silveira e Nilza Rodrigues | Fotografia Walter Fernandes

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