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O imobiliário que deu rosto às empresas de mediação

Regressado de Portugal, Miguel Ribeiro recebeu a proposta para passar a ser accionista da Propricasa como resultado da experiência que tinha do sector imobiliário.

O sector imobiliário é dividido em quatro sectores, nomeadamente a promoção imobiliária (os que constroem para vender ou arrendar), a gestão imobiliária, a avaliação imobiliária e a mediação imobiliária.

Esta é uma das questões que o director da imobiliária Propricasa, Miguel Ribeiro, faz questão de destacar na entrevista que concedeu à revista Rumo,salientando a possibilidade de a empresa diversificar a sua actividade no futuro.

“Os mediadores trabalham a parte da promoção de vendas específicas do negócio imobiliário, mas poderá acontecer no futuro a Propricasa actuar noutros sectores aqui assinalados”, afirmou Miguel Ribeiro.

Em relação à rentabilidade do segmento em que a Propricasa opera, o gestor prefere destacar a rentabilidade emocional do negócio, ou seja, a ligada à satisfação dos clientes que procuram pelos mais diferenciados produtos imobiliários. “A nossa satisfação é sentir que cumprimos a nossa missão face à procura do mercado. Se não houver procura, não teremos clientes, apesar de haver períodos em que temos mais oferta do que procura e outros em que a procura supera a oferta. Nestes termos é que podemos equacionar a nossa noção de lucro.”

Continuando, disse que “o público-alvo da Propricasa – Sociedade de Mediação Imobiliária, L.da, tem sido essencialmente empresas estrangeiras que procuram habitações em Luanda para os seus quadros, assim como empresas/singulares nacionais que procuram fazer investimentos na promoção de imóveis”.
As habitações T2 e T3 no centro da cidade de Luanda destacam-se entre os produtos mais comercializados ou mediados pela sua empresa. Os escritórios, acrescenta o gestor, “também já tiveram uma grande procura, mas recentemente houve uma redução substancial.”

Regressado de Portugal, Miguel Ribeiro recebeu a proposta para passar a ser accionista da Propricasa como resultado da experiência que tinha do sector imobiliário grande procura, mas recentemente houve uma redução substancial”.

De seguida, Miguel Ribeiro foi questionado pela Rumosobre a percentagem que as empresas mediadoras, em média, cobram por cada operação. “É dependente de cada serviço de mediação prestado, pois não há uma taxa fixa de conquista do mercado, mas nunca é menos de 3% nem mais do que 10%, tendo em conta o registo que temos das nossas transacções financeiras pelos produtos negociados anualmente.”

Um mercado com quebras de 40%

Tal como os restantes sectores da economia angolana, o imobiliário está a ressentir-se da actual conjuntura económica do País, e Miguel Ribeiro estima em cerca de 40% a queda nos negócios deste sector.

“Para dar uma ideia, antigamente, se fizéssemos, por exemplo, o arrendamento de três imóveis no centro da cidade, os nossos preços variavam entre 5 mil e 10 mil dólares em cada balanço mensal. Hoje em dia, esses mesmos apartamentos têm uma renda mensal de 500 mil a 1 milhão de kwanzas.

Portanto, isto evidencia um volume de negócio de menos receitas do que anteriormente, embora estejamos a trabalhar muito mais, actualmente, com os clientes nacionais, porque temos menos solicitações de clientes estrangeiros em relação ao nosso mercado”, enfatiza o director-geral.

Um sector que domina

Depois de vários anos em Portugal, Miguel Ribeiro regressou ao País em 2002, com o objectivo prioritário de criar a sua própria agência e conquistar assim o mercado imobiliário, que ele bem conhecia como resultado dos vários anos de actividade em terras lusas. Tornou-se sócio da Propricasa, que, entretanto, já existia.

“A minha ligação à Propricasa surgiu desde o início do meu regresso a Luanda. Num primeiro diálogo com parceiros deste negócio, no escritório da MG Advogados, fui logo convidado a fazer parte deste projecto, devido à experiência que eu demonstrava já possuir nesta mesma área.”

Como ele mesmo afirma, não se tratava de um projecto pioneiro no mercado imobiliário angolano, na medida em que já se conheciam alguns casos naquela altura. “Devo reconhecer que pela minha capacidade de gestão desta mediadora, ofereceram-me logo 33% das suas acções. Os custos da minha parceria às obrigações estatutárias dos meus colegas fundadores acabaram por ser integrados no início desta actividade, além da prestação de ciclos de formação e de marketingaos corretores recrutados.” Além de director-geral, Miguel Ribeiro é, desta feita, um dos três sócios da empresa, assumindo partes iguais no valor das acções estruturantes do capital social da empresa. “Dá-me imensa satisfação fazer parte deste projecto, porque gosto de trabalhar com profissionalismo e lidar com um público-cliente sem discriminação”, adiantou-nos.

Em relação ao funcionamento da Propricasa enquanto negócio de mediação, o empresário assume tratar-se de um investimento com os seus riscos, tal como acontece com qualquer negócio. “Apesar de tudo, eu não deixo de acreditar e de tentar conquistar o nosso lugar num mercado em que a nossa experiência é muito recente neste sector.”

O responsável pelo rosto das mediadoras

Em 2011, a empresa sentiu necessidade de inovar os seus modelos e métodos de angariação e corretagem dos produtos disponíveis na sua base de dados. Nessa ocasião, Miguel Ribeiro solicitou assistência técnica de excelentes profissionais reconhecidos no modelo chamado ‘conceito remaxiano’, ou seja, partilhar para vender mais.

“E assim abracei a ideia de usar rostos na nossa publicidade, e de imediato entrámos para o terreno, o que foi sem dúvida um conceito operacional para Angola, graças aos meus amigos Nuno Costa e sua esposa, Isabel Preciado, provenientes de Portugal, para este contrato especial”, recorda. Actualmente os rostos deixaram de ser uma marca própria da Propricasa.

“Apesar de este casal já não se encontrar incorporado directamente na administração da Propricasa, a sua contribuição deixou-nos a possibilidade de rever a nossa própria capacidade produtiva neste negócio”, sublinhou.

Segundo o director-geral e sócio gerente da Propricasa, a sua empresa de mediação passou também por maus momentos ao longo da sua história.
Enfrentou diversas circunstâncias de riscos de insucesso, pois o mercado não espera pelos gestores. Esta mediadora “sobreviveu a alguns períodos em que o mercado imobiliário ainda consolidava as suas regras básicas. Os projectos e os negócios imobiliários tiveram nessa altura alguma falta de clientes e de critérios selectivos de sucesso”, diz.

Contudo, ele acha que esta realidade já mudou para a sua empresa. Considera que actualmente vários projectos estão mais seguros, técnica e financeiramente, para serem apresentados a clientes melhor informados no nosso mercado. De igual modo, o planeamento da prestação de serviços de mediação prova que “já se fazem sentir. Temos especialistas a realizar estes mesmos projectos, apesar de haver outros de boa qualidade, com bons promotores, mas que de igual modo não são realizados com o mesmo resultado que estamos a registar.”

Uma experiência de 28 anos

Miguel Ribeiro lembra-se de ter arranjado o seu primeiro emprego nesta área em 1988, em Portugal. Afirma que teve a oportunidade de trabalhar na área de construção e reabilitação Miguel Ribeiro investiu no sector do imobiliário que tem vindo a crescer, especialmente em Luanda. O resto do País precisa desse impulso de imóveis, de administração e gestão de imóveis, bem como de vendas e arrendamentos. Em todas as ocasiões em empresas pertencentes ao Group Imobiliário IN´s, com sede em Oeiras, Lisboa. Depois de 10 anos na referida empresa, considerou-se preparado para abraçar outros desafios. Assim, decidiu regressar a Angola, de onde tinha saído em 1974.

O gestor é pai de três filhos, todos rapazes, bem formados e agarrados às dicas morais do chefe de família que ele demonstra ser. Vive desde 2001 com Nady Ferreira, jornalista e empresária angolana, e realizaram o seu casamento em 2014. Tem a nacionalidade portuguesa, embora tenha nascido em 1964, em São Tomé, mas muito cedo veio com os pais para Angola.

Os feitos e factos do 25 de Abril de 1974, em Portugal, e a independência dos países africanos que se seguiu facultaram as opções migratórias da sua família. Foi assim que se deslocou entre África e a Europa desde muito novo, acompanhando os seus irmãos, pais e avós, segundo nos contou o nosso entrevistado.

Garante-nos que teve uma infância modesta mas feliz, embora sem muitos laços de amizade criados por todo o lado por onde passou, quer no ensino primário quer no secundário.

Conta que a sua migração o ajudou a compreender melhor a aflição dos agregados familiares quer da ex-metrópole quer das ex-colónias portuguesas em África, tal como entende o peso de famílias deslocadas na situação de refugiados. Por isso elogia muito o contributo de pessoas como o engenheiro António Guterres, que passou de Alto Comissário para os Refugiados (ACNUR) para Secretário-Geral das Nações Unidas.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

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