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A maneira errada de apresentar pessoas por e-mail

Se ambas as partes estiverem entusiasmadas, a tarefa de ambos terásido facilitada por si e a apresentação será mais proveitosa

Quando eu era jovem e estava no início da minha carreira, um dos meus princípios em relação ao networking era seguir aquele conselho habitual: “Apresente duas pessoas todas as semanas.” Todas as semanas, obedientemente, ligava o computador e escrevia um e-mail de apresentação para duas pessoas, que, nessa semana, eu achava que beneficiariam por se conhecerem.

Certa vez, depois de ter apresentado um amigo a um autor bastante conhecido com quem eu colaborava, recebi um e-mail deste último. A sua mensagem era curta mas incisiva: “Não gostei. Por favor, fale comigo antes de partilhar o meu contacto.” Sem o ter consultado, eu dera a uma pessoa que ele não conhecia permissão para o contactar quando quisesse e para sempre.

Ao construir a sua rede de contactos, as apresentações desempenham um papel importante. Os seus contactos directos são em número finito, mas o númerode pessoas ligadas a si através de outros é quase infinito.

Além disso, apresentar as pessoas da sua rede de contactos umas às outras ajuda a que esta deixe de ser uma simples lista de contactos e se transforme numa comunidade próspera de pessoas que interagem e colaboram umas com as outras. Porém, se estiver a proceder às apresentações da forma mais habitual — como eu fazia —, talvez seja melhor parar.

Há muitas apresentações a acontecerem por e-mail (um meio que, só por si, já tem muitas deficiências). Alguém nos pede para ser apresentado a um contacto nosso e nós correspondemos, compondo um e-mail dirigido a ambas as partes, incluindo a informação de contacto e, preferencialmente, o contexto para realizar a apresentação.

A não ser que esteja absolutamente seguro da agenda de uma pessoa, o e-mail pode chegar à sua caixa de correio numa altura em que ela esteja fora do escritório. Ou pode ficar perdido no dilúvio habitual de e-mails de trabalho.

O e-mail chega à caixa de correio de ambos e, em geral, a pessoa que pediu a apresentação faz o seguimento, realizando um pedido directo ao seu contacto. Mas este género de apresentações-surpresa acarreta muitos riscos. Caso as faça, corre o risco de que algumas coisas corram mal:

Oportunidade

A não ser que esteja absolutamente seguro da agenda de uma pessoa, o e-mail pode chegar à sua caixa de correio numa altura em que ela esteja fora do escritório.

Ou pode ficar perdido no dilúvio habitual de e-mails de trabalho. Em ambos os casos, pode passar algum tempo antes de o e-mail inicial obter resposta, e os súbitos arranques depois de longas pausas na troca de e-mails podem tornar embaraçoso retomar a conversa.

Responsabilidade

Embora realizar uma apresentação-surpresa seja certamente útil para quem a solicita, estará também a pedir à outra parte que assuma muita responsabilidade. Esta pessoa terá agora de processar quem é este novo contacto, mas também analisar o que ele tem para oferecer, e depois, muito provavelmente, examinar a sua agenda para arranjar tempo para fazer o telefonema ou realizar qualquer outra acção que seja necessária. É simples para si, mas difícil para ele.

Não há “saída”

Embora as apresentações-surpresa mais empáticas possam incluir uma possibilidade de a outra parte declinar, não existe verdadeiramente uma saída. Se a pessoa não quiser conhecer o solicitante, tem de falar com ambas as partes ou apenas consigo (o que fará com que o solicitante se sinta ainda mais embaraçado quando o informar de que a outra parte recusou conhecê-lo).

Em vez de assumir o risco das apresentações-surpresa, é melhor praticar as “apresentações com permissão”.

Dito de outro modo, procure a permissão de ambas as partes através de mensagens privadas. Para quem já tem este hábito, isto pode parecer óbvio, mas cada um parece ter regras específicas de etiqueta no que diz respeito aos e-mails, ou seja, não existe uma conduta que seja comummente aceite. Devemos mudar isso, a começar pelo networking.

Quando receber um pedido para fazer apresentações, explique que vai falar primeiro com o seu contacto, mas aproveite para obter informações adicionais, por exemplo:

Qual é o contexto ou o motivo por trás do pedido? Qual será o benefício para ambas as partes (se é que existe algum)? Que acções irá o solicitante pedir ao seu contacto?

Estes são aspectos que os solicitantes inteligentes explicarão logo à partida, mas é uma boa oportunidade para ver se sabe tudo o que é necessário quando for falar com o seu contacto. Quando pedir permissão ao seu contacto, acrescente o seu próprio contexto a essas informações:

Trata-se de um amigo da sua confiança ou de um mero contacto do LinkedIn? (Se for o último caso, talvez não deva sequer abordar a outra parte.)
Percebe uma oportunidade de benefício mútuo que eles os dois podem não perceber?

De que forma se manterá envolvido no novo relacionamento?

Também deverá perguntar-lhes quais as suas preferências em termos de comunicação e aproveitar essa oportunidade para fornecer uma possibilidade de saída.
Se ambas as partes estiverem entusiasmadas, a tarefa de ambos terá sido facilitada por si e a apresentação será mais proveitosa. Terá também expandido a rede de contactos de toda a gente, o que é muito bom.

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