Connect
To Top

Investimentos em poupanças multimilionárias atraem investidores à bolsa

Um contexto de crise financeira, com elevados riscos associados aos negócios, é normal os investidores diversificarem as suas carteiras de investimentos.

E uma das diversificações é o investimento na forma de poupança, acrescida de um ambiente de negócios como o de Angola, que oferece taxas positivas de 20%.
Sem desprezo pela taxa de inflação, o retorno relativo (benchmark)de investimentos em poupança pode ser comparado ao de mercados maduros onde a inflação não deixa de respirar. E mais: investidores experientes calculam sempre o retorno ajustado ao risco.

Assim, desde que o País passou a contar com um ambiente de negócios que proporciona a adequada segurança jurídica e legítima para criar confiança de quem investe e de quem se financia nos mercados regulamentados pela BODIVA – Bolsa de Dívida e Valores de Angola, tem aumentado o interesse de investimentos em títulos do Estado, na forma de poupanças.

Apesar de o investimento em poupança ser considerado o mais tradicional e seguro e o mais indicado para investidores conservadores, a verdade é que a BODIVA transaccionou o equivalente a 2,9% do PIB num período de ano e meio, entre Maio de 2015 e Novembro passado. Não são poucos os investidores que recorrem aos mercados regulamentados pela Bolsa para fazerem megainvestimentos em poupanças.

O mercado secundário da dívida do Estado operou, durante 18 meses, transacções de bilhetes e obrigações do Tesouro em praças de registos geridas pela BODIVA, tendo neste período movimentado um montante equivalente a três mil milhões de dólares.

Afinal, o que aconteceu na Bolsa de Valores em 18 meses, proporcionando negócios milionários, que já representam 2,9% do PIB? Vamos aos factos para conferir os megainvestimentos de particulares e empresas em títulos do Estado.

Desde a sua abertura, em Maio de 2015, até Dezembro do mesmo ano, os negócios decorreram em plataformas denominadas mercado de registo de títulos do
Tesouro (MRTT), onde foram registados cerca de 88,4 mil milhões de kwanzas negociados por seis agentes de intermediação, apenas bancos comerciais.Neste período, o agente de intermediação Banco de Fomento Angola (BFA) foi o primeiro membro da BODIVA a operar no MRTT e com mais de 70% da quota de mercado em número e volume de operações transaccionadas. Foi responsável pela negociação de cerca de 68,5 mil milhões de kwanzas em títulos do Tesouro (77% do total)
Em Junho do mesmo ano, dois novos intermediários juntam-se ao BFA na transacção da dívida pública no mercado secundário da BODIVA: o Banco Millennium Angola (BMA) e o Banco Angolano de Investimento (BAI), que até ao final daquele ano mediaram acordos de compra e venda no montante de seis mil milhões de kwanzas e 8,9 mil milhões de kwanzas (7% e 10% do total, respectivamente).

O Banco de Negócio Internacional (BNI) realizou a sua primeira operação como agente BODIVA em Agosto, somando até ao final do ano um total de 632,1 milhões de kwanzas, obtendo assim 1% da quota de mercado. Porém, o Standard Bank Angola (SBA), enquanto intermediário no MRTT, apesar de ter realizado a primeira mediação em Novembro de 2015, conquistou 5% do quinhão deste mercado ao negociar 4,2 mil milhões de kwanzas em títulos do Estado.

Com a negociação de 105,6 milhões de kwanzas, o agente BODIVA Banco Privado Atlântico (BPA antes da fusão) deteve uma participação nula em termos estatísticos, mas não em termos absolutos.
Evolução do mercado

Em Janeiro do presente ano, as operações de compra e venda de títulos do Tesouro ganharam outra dinâmica, uma vez que a Comissão de Mercado de Capitais (CMC) e a BODIVA decidiram substituir o mercado de registo de títulos do Tesouro (MRTT) pelo mercado de registo de operações sobre valores mobiliários (MROV).

Este novo segmento de mercado destinava-se ao registo de operações sobre quaisquer valores mobiliários que não estivessem admitidas noutros segmentos de mercado, incluindo, assim, as operações de registo sobre títulos do Tesouro, anteriormente efectuadas no MRTT.
Até à data, os registos efectuados no MROV foram exclusivamente de operações sobre títulos do Tesouro; no entanto, este segmento de mercado destinava-se também ao registo de operações sobre outros valores mobiliários, nomeadamente obrigações corporativas e acções. O MROV funcionou até meados de Novembro último.

Neste novo segmento foram negociados cerca de 260,8 mil milhões de kwanzas em títulos, contra 88,4 mil milhões registados no MRTT. Quanto ao número de agentes de intermediação, passaram de seis para oito no MROV.

O incremento do número de operadores de mercado e o aumento do resultado obtido a nível do volume movimentado geraram nova dinâmica no market share.

Do volume transaccionado apenas no MROV a partilha de mercado obedece à seguinte regra: BFA, com 38%, ao transaccionar 99 mil milhões de kwanzas, BAI, com 22%, ao transaccionar 57,9 mil milhões, SBA, com 17% e 45 mil milhões de kwanzas transaccionados.

Com a fusão entre BPA e BMA, o novo agente Banco Millennium Atlântico deteve 16% das transacções, com um volume de negócios na ordem de 43,1 mil milhões de kwanzas. Os agentes Banco Regional do Keve, BRK, BNI e Banco BIC partilharam os restantes 6% do mercado.

Primeiro segmento de Bolsa no País já em operação

A 15 de Novembro do presente ano foi inaugurado o primeiro segmento de Bolsa do País, um mercado a funcionar ao mesmo nível das praças financeiras nas jurisdições de referência em todo o mundo no plano operacional e tecnológico e no domínio da regulação e supervisão.

De acordo com o ministro das Finanças, Archer Mangueira, o País passa a contar com um ambiente de negócios que proporciona a adequada segurança jurídica e legítima confiança de quem investe e de quem se financia, em que as ordens de compra e venda dos investidores são transmitidas, registadas e concretizadas em tempo real através dos agentes de intermediação devidamente acreditados, procedendo a BODIVA, por intermédio da CEVAMA – sua unidade orgânica –, à custódia, compensação e liquidação dos títulos transaccionados.

“A Bolsa de Valores destina-se a promover a poupança e a canalizá-la para as empresas e para as políticas públicas de modo eficiente, colocando no processo produtivo os recursos que outros canais têm mais dificuldades em mobilizar.”

A eficiência de um mercado de capitais

Através dos veículos financeiros aí disponíveis, as famílias transportam as suas poupanças para o futuro,remunerando-as, e o Estado e as empresas financiam-se com os custos e os prazos mais adequados aos seus projectos, assim se gerando mais riqueza, mais postos de trabalho qualificados, melhor educação, melhor saúde, e, como corolário, as pessoas tendem a viver com mais qualidade de vida e durante mais tempo.

Passa a estar disponível para qualquer cidadão o acesso aos títulos da dívida pública através da Bolsa de Valores. Qualquer pessoa que tenha algumas poupanças pode agora criar a sua carteira de títulos do Tesouro recorrendo aos serviços da BODIVA e dos seus agentes de intermediação.

Para o Estado, que tem sempre de se financiar, o mercado de bolsa de títulos do Tesouro tem inúmeras vantagens, incluindo a remuneração das poupanças das famílias.

Vantagens do MBTT

Segundo o coordenador do Departamento de Negociações da BODIVA, Odair Costa, o MBTT irá permitir a colocação de ordens e a gestão das mesmas ordens e negociação em regime de order drivers,o que trará vantagens para quem pretende vender os seus títulos, porque beneficiará da concorrência entre os possíveis compradores.

A negociação multilateral proporcionada pelo MBTT garante maior transparência na formação de preços, uma vez que era efectuada fora do mercado e passa agora a ser feita de acordo com as regras de mercado e dentro de determinado sistema.

“Não se formarão mais preços que não sejam representativos daquilo que é o justo preço para o activo”, assegura Odair Costa.

Os investidores e interessados passam a contar desde já com mais informação disponibilizada através do site em tempo real, onde serão registados todos os negócios efectuados, dando a indicação das quantidades e das variações relativamente ao último preço.

Através do sitebodiva.ao qualquer investidor poderá aceder e ter toda a informação sobre os negócios efectuados nesta plataforma.

“Nós, no final do dia, produzimos sempre um boletim diário de negociação, em que fazemos o resumo da mesma sessão, em que nós temos os títulos negociados, as quantidades e as devidas variações percentuais. No final de cada mês fazemos um resumo mensal. O que se pretende é criar um resumo semanal.”

Outra vantagem é a maior facilidade de acesso ao mercado por parte dos investidores, que poderão contactar as salas de mercado e colocar as suas ordens junto dos operadores, que por sua vez colocam a ordem nos sistemas da BODIVA. Futuramente será possível, para os investidores, fazerem isto directamente.
Por último, haverá menor esforço administrativo, o que permitirá maior dinamismo na relação com o investidor. As ordens podem ser colocadas pelas vias previstas na legislação, nomeadamente por telefone e futuramente por via do homebanking.

“Não haverá mais a necessidade de formalizarmos um contrato com o cliente. Sei bem que este esforço é muito grande e a sala de cliente tem que lidar com isto diariamente. A partir de agora já não existe este esforço administrativo.”

Como funciona o MBTT

Apesar da redução do esforço administrativo, só é possível aceder ao mercado através de um membro BODIVA.

Para o investidor colocar ordens deve contactar a sala de mercados e estes introduzem-nas no sistema.

No entanto, o repto foi lançado aos membros de negociação da BODIVA para desde já se começar a encontrar formas mais directas de negociação associadas às novas tecnologias, como o homebanking e o homebrokers, ou outro sistema que permita aos investidores, a qualquer momento, pôr ordens, cancelá-las e gerir de forma mais dinâmica a sua presença no mercado.

No MBTT serão negociados apenas os títulos do Tesouro, mas apenas os que estão centralizados na CEVAMA. Só poderão ser negociados no mercado regulamentado.
Actualmente só poderão ser negociados títulos do Tesouro em moeda nacional. Mas já está a ser feito esforço no sentido de incluir a negociação de títulos do Tesouro em moeda estrangeira, neste caso em moeda norte-americana.

Por André Samuel 

You must be logged in to post a comment Login