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Esta folha vai ajudar-nos a respirar melhor

Chama-se Silk Leaf e é a primeira folha sintética e criada em laboratório. Capaz de criar oxigénio, pode ser instalada em prédios nas cidades e ajudar no combate à poluição.

A criação de uma folha sintética capaz de produzir oxigénio tem sido um dos maiores desafios para os biólogos. Isso porque, ao controlar o processo de fotossíntese (processo realizado pelas plantas para a produção da energia que necessitam e que purifica o ar que respiramos), também seria possível controlar a liberação de oxigénio na atmosfera, além da purificação do ar. E, assim, gerar uma fonte de energia limpa.

E m 2014, um jovem estudante universitário, Julian Melchiorri, aluno do Royal College of Art, no Reino Unido, publicou detalhes sobre o desenvolvimento da criação de uma folha sintética, a que deu o nome de Silk Leaf. Refira-se que a investigação de Melchiorri foi realizada em conjunto com a Universidade Tufts, nos Estados Unidos, no âmbito de um curso de design de engenharia. O produto final foi apresentado pela Dezeen e Mini Frontiers, numa iniciativa que marca um ano de colaboração entre duas marcas dedicadas a “explorar como o designe a tecnologia estão a trabalhar em conjunto para transformar o futuro”.
Esta folha possui uma estrutura criada a partir de proteínas da seda resistentes e tem na sua composição cloroplastos que permitem que a planta realize a fotossíntese. Julian Melchiorri vinca que a folha tem a capacidade de absorver água e gás carbónico e gerar oxigénio a partir dessa reacção, da mesma forma como faz uma planta comum.

Um dos principais objectivos do investigador é tornar possível a utilização das estruturas Silk Leaf no meio da vegetação e nas fachadas dos prédios, nomeadamente nos arranha-céus que estragam a paisagem, mas que desta forma se podem transformar em fábricas de oxigenação, o que poderá constituir uma excelente alternativa para resolver o problema da qualidade do ar, já que a função da folha biológica sintética é fornecer uma rica e saudável quantidade de oxigénio. “Extraí os cloroplastos das plantas e coloquei-os dentro de proteínas de seda. Como resultado, tive o primeiro material fotossintético que vive e respira tal como as folhas das plantas”, indicou Melchiorri, citado pelo Inhabitat.

Assim como as folhas de uma planta natural, a Silk Leaf transforma o CO2 do ar e da água em oxigénio, e pode ser implantada em qualquer local onde se deseja obter uma maior concentração de oxigénio, inclusive, em viagens espaciais de longa distância.

De facto, a notícia do desenvolvimento desta ideia também animou os entusiastas das viagens espaciais. A ideia é utilizar esse material para criar uma atmosfera respirável em Marte, já que o objectivo de colonizar outros planetas é algo que cresce a cada dia que passa e com o desenvolvimento de projectos cada vez mais viáveis e plausíveis.

As plantas não gostam de ambientes sem gravidade, e viverem num local onde existe falta de oxigénio por tempo indeterminado não é muito viável. A investigação de Melchiorri abre, assim, portas na criação de uma forma de produzir oxigénio no espaço e compatível com o ambiente severo extraterrestre. E, segundo o jovem designer, “a NASA está a pesquisar diferentes formas capazes de produzir oxigénio para as viagens espaciais de longa distância e que nos abram a possibilidade de viver no espaço, o que nos permitirá explorar o espaço muito mais longe do que podemos agora”.

Por Fernanda Mira 

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