Connect
To Top

By the book ou… by ourselves

Éramos um grupo pequeno. Cerca de dez. Entre editores, directores e administradores desafiados para um curso de comunicação “barra” liderança “barra” gestão humana nas empresas.

Por Nilza Rodrigues

Todos os dias, durante ‘n’ dias, éramos sujeitos a provas caricatas, situações do nosso dia a dia, como as resolveríamos e o how to do it right. Por exemplo, tem uma comunicação importante para dar ao chefe e não consegue que ele lhe ceda uns minutos do seu precioso tempo. Entretanto esbarra com o próprio nos corredores da empresa, que a correr lhe diz algo como: “Nilza, estou a caminho do aeroporto. Vou apanhar um táxi.

Só se quiser vir comigo e…” Claro. Claro que sim! E lá ia eu perder uma oportunidade dessas! Os mais tímidos do grupo disseram logo que não. Os indecisos fizeram um step back. Eu avancei para a cena, que, imaginem, implicava representação teatral. Os meus cinco minutos de fama (aliás, passaram a ser diários, tal era o meu espírito resiliente ou sofredor, depende do ponto de vista)! E lá fui eu. Imbuída de espírito resumido, digo ao que vou. Mas depressa, muito depressa, chegámos ao destino e a resposta apanhou-me desprevenida: “Minha cara, como estou com muita pressa e precisa de uma resposta rápida, o melhor é não avançar.” Splash. Lá levei eu com um cartão vermelho.

A resposta certa, dizem os peritos, seria nunca aceitar a ‘boleia’, como eles designaram, a ‘oportunidade’, como eu via. E polidamente deveria responder: “Obrigada, chefe, mas se está com muita pressa, e dada a importância do assunto, remarcaremos no seu regresso!” Daí para a frente foi uma colecção. De cartões vermelhos, entenda-se. Olho para trás e penso. O eterno dilema entre a prática e a teoria que tantas vezes nos assola na gestão do nosso dia-a-dia. O by the bookou o by our personality.

Se é para seguirmos tudo o que vem escrito, como fazer a diferença na nossa gestão, como deixar a nossa marca, como não ser mais um no rebanho que segue o seu caminho e fazer jus ao nosso próprio pensar e sentir? Obrigo-me a olhar para trás novamente e perceber que, afinal, tudo o que aprendi naquela altura está comigo hoje. A base está cá.

E as bases fazem-se com o ensinamento dos mais velhos, com muita leitura, com muito youTube, sim, youTube, essa ferramenta fantástica que nos permite ouvir os melhores gurus internacionais a falar sobre ética, sobre gestão, sobre compliance.

E depois é dar o nosso contributo e, sempre que possível, fazer escola. Passar o testemunho. Se iria a correr atrás do chefe, hoje, para resolver uma situação? Quem me conhece sabe que sim. Mas com maior ponderação, entretanto fui aprendendo outras lições de gestão. E já digo: “Se está com muita pressa, e dada a importância do assunto, aproveite a minha ausência para melhorar a sua ideia.” A resposta ajustada. O My Way,de Frank Sinatra (entenda-se na versão anterior a Trump ter eleito a música, por favor).

 

You must be logged in to post a comment Login