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Diversificar e procurar investimento privado: A solução para o choque petrolífero

Os desafios que África terá de enfrentar em 2017, segundo o think tank norte-americano Brookings Institution.

A diversificação das fontes de receita e um ajustamento doméstico decisivo são as receitas que a Brookings Institution vê como essenciais para o futuro económico e financeiro das nações africanas, principalmente as mais dependentes das exportações de matérias-primas como o petróleo. Nas suas previsões para 2017, o think tank norte-americano, que festejou o centenário no ano passado, opta por um tom optimista para o ano que agora começa mas alerta para os muitos desafios que as economias do continente têm pela frente, nomeadamente na África Subsaariana.

A Brookings divide o seu relatório, intitulado Foresight Africa – Top Priorities for the Continent in 2017,em seis temas, que vê como essenciais para África superar os seus obstáculos e entrar no caminho do crescimento frutífero e inclusivo. “Ao examinar estes temas tão intimamente interligados, esperamos proporcionar uma visão holística do continente, enfatizando que para cada problema existe uma solução, embora esta possa não ser encontrada onde se espera”, escreve na introdução Amadou Sy, director da Africa Growth Initiative, da Brookings Institution.

Mobilizar recursos financeiros

Embora as perspectivas sejam encorajadoras para muitos países w, a situação mudou, e muito, para os exportadores de petróleo, avisa a Brookings. A queda nos preços da matéria-prima reduziu as receitas fiscais e aumentou as necessidades de financiamento, deixando as nações africanas produtoras de petróleo face ao que a consultora chama de “défices gémeos” na conta corrente e no Orçamento do Estado. O desafio, dizem os analistas, é que as obrigações necessárias para o financiamento externo estão a aumentar ao mesmo tempo que as condições financeiras internas estão cada vez mais apertadas.

A subida dos juros da Reserva Federal dos EUA encarece não só os custos do financiamento como reduz também o apetite pelo risco, que levou, no passado, os investidores a apostar em mercados como os de África. Para a Brookings Institution, a opção que resta é levar a cabo o que classifica de “ajustamentos internos decisivos”, pelo que o ano de 2017 deverá ser utilizado não só para implementar novas políticas macroeconómicas como para colocar as economias dependentes da exportação de petróleo no caminho certo para atingir objectivos de desenvolvimento sustentável.

Aumentar as oportunidades de emprego O “dividendo demográfico”, como é classificado pela Brookings Institution, é uma fonte potencial de crescimento do continente africano e da sua jovem população.

Mas traz consigo, ao mesmo tempo, um enorme desafio: a criação de emprego capaz de absorver os milhões de jovens que se preparam para entrar no mercado de trabalho nas próximas décadas. Não o enfrentar pode não só significar perder uma grande oportunidade como aumentará de certeza o risco de conflitos sociais maioritariamente causados por uma elevada taxa de desemprego entre a população jovem.

Promover tecnologias transformadoras

Como poderá África criar ambientes capazes de proporcionar inovações importantes?, questiona o think tank norte-americano. Para começar, é preciso nivelar o preço do acesso à Internet, que é mais barata e mais rápida nas zonas junto à costa do que nas regiões do interior do continente africano. Novas iniciativas para fornecer Internet através de satélites sub-orbitais ou balões de alta atitude podem oferecer a rede mais barata ao longo de todo o continente.

Onde a Brookings Institution vê avanços consideráveis é na criação de hubstecnológicos, principalmente na África do Sul, no Quénia e no Gana. Para potenciar o aparecimento de novos tech hubs,a organização considera essencial o melhoramento do ambiente regulatório, recomendando prudência quer entre os playersdo mercado quer entre as instituições financeiras. Ao mesmo tempo, aponta o acesso a serviços financeiros digitais como uma tendência a implementar num mercado potencial de 1,6 mil milhões de indivíduos, metade dos quais mulheres.

Confrontar as alterações climáticas

As alterações climáticas são uma realidade, e África deve ser capaz de enfrentar este enorme problema, até porque o continente será uma das maiores vítimas do aquecimento global, com mais secas prolongadas, cheias e outros desastres naturais. Na óptica da Brookings, para implementar o crescimento sustentável em 2017 as economias africanas necessitam de transformar a agricultura e a utilização do solo, de diversificar a economia através do investimento em sectores de alta produtividade, de gerir a urbanização e de promover a transição para energias limpas.

Para já, estão destinados 100 mil milhões de dólares por ano, até 2020, para apoiar estas acções em países em vias de desenvolvimento e espera-se que muito mais chegue ao continente através de veículos como o Green Climate Fund ou o Banco Africano de Desenvolvimento.

Sustentar os esforços de urbanização

As cidades africanas continuam a crescer e é preciso que os esforços de urbanização sejam sustentáveis.

Em 2016, África foi a única região do globo a dar uma resposta coordenada sobre o que deve fazer parte da Nova Agenda Urbana das Nações Unidas. Mas uma coisa são as intenções expressas no papel, outra é a realidade. A Brookings Institution recomenda aos líderes regionais que resistam ao paroquialismo e compreendam que a colaboração com os vizinhos é imperativa numa altura em que a concorrência é global e não apenas local.

É necessário uma visão clara de como gerir o crescimento de cidades capazes de acolher 500 milhões de pessoas nos próximos 20 anos, pois o futuro urbano de África só beneficiará com isso. Uma das soluções será o investimento estrangeiro, dando como exemplo a cidade angolana de Kilamba, construída pelos chineses.
Patrocinar a boa governação

Depois do exemplo do ano de 2016, quando a cooperação entre governos africanos, organizações cívicas e parceiros internacionais teve sucesso com a difícil vitória sobre o surto de ébola, para além do progresso que foi feito na bacia do Chade na luta contra o Boko Haram, a Brookings recomenda que os governos africanos aprendam não só com o que foi alcançado como devem também reflectir sobre o que levou a que estas crises aparecessem.

Por isso a consultora defende que a governação deve estar centrada na coesão social e na responsabilidade dos próprios governos, que devem não só procurar a colaboração da sociedade civil como promover a confiança dos seus cidadãos através da transparência e da responsabilização dos actores políticos. Para já, o ano de 2017 terá várias eleições no continente africano, a começar por Angola, mas também no Quénia, no Senegal ou no Gabão.

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