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From Good to Great: O que separa uma empresa excepcional de uma boa?

O que vale mais para o sucesso empresarial? A liderança ou somente a qualidade do capital humano? Jim Collins tem a resposta.

Por Cláudia Simões

Ser bom é algo que cada indivíduo anseia e a maioria atinge no decorrer da vida. Alcançar a excelência é o sonho disponível para todos, mas poucos o concretizam. No mundo corporativo não é diferente. Como é que as empresas perduram e mantêm uma qualidade duradoura? Acima disso, o que faz uma empresa ser qualificada de boa e outra de excelente?

Esta é a premissa de From Good to Great. A obra, escrita pelo guru do management Jim Collins, publicada em 2001, responde a todas as perguntas. “Bom é inimigo do óptimo”, afirmou o autor numa palestra a propósito do livro. Dentro dessa linha de pensamento, Collins parte do princípio de que todos podem progredir e tornarem-se melhores. Como poderá isso acontecer?

Inicialmente, o princípio “primeiro que, depois o quem” sofre uma inversão.

Para Collins, antes de se ter uma determinada visão, é crucial ter as pessoas certas, para que as mesmas contribuam para a concretização do trabalho, por serem motivadas, disciplinadas, sem necessidade de serem vigiadas. “Quando você tem as pessoas certas, não precisa perder tempo a coordená-las.”

Desta forma deita por terra o velho adágio sobre capital humano que diz que “as pessoas são o recurso mais importante”. Uma vez seleccionadas, a visão pode ser definida. Para analisar se a escolha do pessoal foi acertada ou não, o rigor e a disciplina da liderança são características trazidas à superfície.
A partir daí, Collins explica que a liderança, em si, não é o factor determinante da qualidade da empresa.

Segundo ele, trata-se de “um desleixo intelectual. Se uma empresa corre bem, pensamos: deve ter sido uma questão de liderança. Se não corre bem, a liderança não deve ter sido boa”. A resposta jaz não na liderança, mas no tipo de liderança. O início do projecto From Good to Great foi determinado com a sua equipa de pesquisa, a liderança é uma hierarquia de qualificação, destrinçado em cinco níveis.

No quinto nível estão as habilidades individuais. No quarto, os membros que constituem a equipa, no terceiro, a competência, no segundo, o líder eficaz e capaz. Finalmente, no primeiro nível está o líder de nível 5. Esta característica adicional no topo da pirâmide, segundo Collins, é o seleccionador qualitativo no meio empresarial.

Uma liderança de nível 5

Analisando as trajectórias de nomes pertencentes à lista dos melhores CEO de todos os tempos, como, por exemplo, Katharine Graham, editora do jornal The Washington Post,Darwin Smith, antigo CEO da multinacional Kimberly-Clark, Sam Walton, fundador da Walmart, pese embora cada um operar em sectores diferentes e ter experiências de vida diferentes, existem características que os unem.

Jim Collins afirma que líderes de nível 5 têm espírito de boa vontade, abnegação e humildade. Quando uma situação corre bem, apontam para outros factores, desviando a atenção de si mesmos, evidenciando a equipa. Ao depararem-se com um fracasso, assumem–se como culpados, focando a atenção na sua possível falha como líderes.

Outra característica é a capacidade de responderem à altura em cenários depressão, dando como exemplo Katharine Graham, do The Washington Post.

Na década de 70, a editora debateu-se com um dilema: divulgar publicamente ou não relatórios confidenciais do governo. Tendo noção de que enfrentaria uma acção judicial, Katharine, com a sua equipa, seguiu avante com o plano. A decisão culminou no hoje conhecido na história mundial como escândalo Watergate.

Liderança não é personalidade

O princípio geral de que carisma é essencial para se ser líder é outro conceito pelo expert. Em apresentação da plataforma Big Think, Jim Collins, esclarece que no decurso da história os melhores líderes não têm carisma, mas o que chama de “bypass de carisma”.

Ser altamente carismático não é necessariamente relevante. Segundo ele, “o ponto crítico que encontramos é como as pessoas engajam com um líder, não é sobre este material externo”, ou seja, as pessoas reconhecem um líder, o indivíduo que canaliza o seu ego para uma causa, pretendendo realizá-la sem estar centrado em si mesmo.

 

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