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O arranha-céus que come smog

A poluição é, apesar dos esforços das últimas décadas, um problema sério nas maiores cidades do mundo. A empresa norte-americana Arconic encontrou uma solução inovadora.

Por Paulo Narigão Reis 

As recentes imagens das cidades chinesas cobertas por um denso nevoeiro de poluição correram mundo. Na Europa, Paris teve de limitar o tráfego automóvel para tentar conter o smog. Apesar da consciencialização das últimas décadas e dos esforços das autoridades das grandes metrópoles do planeta, a poluição atmosférica é um problema sério com consequências graves não só para o ambiente das cidades como para a saúde dos seus habitantes. Para combater o flagelo, há quem esteja muitos anos à frente. É o caso da Arconic, que encontrou uma solução inovadora e fracamente futurista. A empresa norte-americana, sediada em Nova Iorque, idealizou um arranha-céus com quase 5 km de altura capaz de comer, literalmente, a poluição atmosférica.

A torre desenhada pela Arconic, que para já é apenas um projecto, é feita com materiais e tecnologias que já existem e outros que estão ainda em fase de desenvolvimento. O edifício foi concebido como parte de uma campanha da Arconic inspirada nos Jetsons, série de animação criada em 1962 que imaginava como seria o mundo em 2062.

Um dos projectos da empresa chama-se EcoClean, um revestimento especial que ajuda os edifícios a autolimparem-se ao mesmo tempo que purifica o ar em seu redor. “Este revestimento oferece, para além do factor estético, uma série de benefícios no que à manutenção diz respeito, ao mesmo tempo que ajuda a reduzir os elementos poluentes”, refere Sherri McLeary, uma das cientistas principais da Arconic. O EcoClean funciona com a ajuda da luz e de vapor de água, que se misturam com os elementos químicos do revestimento para produzir átomos conhecidos como radicais livres, que puxam os poluentes da atmosfera e os transformam numa espécie de pele morta, que se junta à sujidade do edifício, que depois é limpa. Resultado: um edifício limpo rodeado por ar ainda mais limpo.

Outra inovação são as próprias janelas, baptizadas com o nome de Bloomframe, que se convertem em varandas de vidro no espaço de um minuto.

Para já, a Arconic anda a mostrar a inovadora tecnologia em feiras um pouco por todo o mundo e pensa lançar-se definitivamente no mercado no “futuro próximo”. No que respeita aos materiais de que estes arranha-céus comedores de poluição serão feitos, a ideia é, para já, quase ficção científica. Mas de uma coisa a Arconic tem a certeza: poderão ser construídos com materiais saídos de impressão 3D, tornando-os flexíveis. A empresa tem mais ideias no seu catálogo, como automóveis voadores ou asas de avião aerodinâmicas.

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