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“O primeiro passo para a diversificação da energia é o mercado de gás natural”

A The Oil & Gas Year, TOGY, realizou no passado dia 21 a terceira edição da mesa-redonda estratégica subordinada ao tema “Como diversificar a indústria energética angolana?”.

Por André Samuel 

andre.samuel@mediarumo.co.ao 

O primeiro e essencial passo para a diversificação da energia em Angola é o desenvolvimento de um mercado de gás natural.

Angola já fez a descoberta de um vasto recurso de gás natural que pode ser desenvolvido nos próximos 10 anos. As oportunidades a curto prazo incluiriam a hidroelectricidade e o gás.

Outras tecnologias, tais como a energia solar e os biocombustíveis, têm potencial, contudo, são tecnologias que terão de ser competitivas, e os investidores terão de obter o retorno do investimento a fim de garantir a sua viabilidade.

Exemplos de apoio por parte da Chevron incluem a instalação de painéis solares em três comunidades rurais em Cabinda.
Como pode o sector público incentivar a pesquisa e a produção de gás natural?

É necessária uma plataforma para a comercialização do gás que permita conectar os compradores e os vendedores. Existem potenciais soluções que funcionam em outros países como o Bangladesh, a Tailândia e em outros mais que podem servir de exemplo para uma eventual plataforma em Angola.

Um factor-chave de sucesso no País é o estabelecimento de um quadro legislativo que permita a produção de gás e gere receitas para a entidade responsável pelo seu desenvolvimento.

Os actuais acordos de partilha de produção (PSA – Production Sharing Agreement) não concedem os direitos de produção de gás às empresas petrolíferas internacionais, mesmo que existam no reservatório grandes quantidades de gás associado.

Quais são as necessidades e as expectativas da indústria no que tange a políticas futuras relativas ao gás natural?

A possibilidade de o investidor comercializar o gás deve ser semelhante à que se verifica em relação ao petróleo bruto, ou seja, uma abordagem com base no mercado que permita compensar os produtores irá promover o desenvolvimento do gás. Uma mudança a este nível na indústria exigirá primeiramente alterações na legislação. Presentemente, o gás associado pode ser produzido, mas não gera qualquer receita para o operador do bloco. Se as políticas fossem alteradas para permitir que tanto o gás livre como o gás associado fossem comercializados, isto iria incentivar o desenvolvimento do gás e de projectos em gás.

Existe a possibilidade de comercializar o gás natural no País para uso interno? Será que Angola pode ser considerada um player importante no que diz respeito a exploração do gás?

Angola possui recursos substanciais a desenvolver em termos de gás, um potencial estimado em 25 triliões de pés cúbicos. Alterações legislativas e comerciais relativas à produção de gás possibilitariam a realização de investimentos.

Com a promoção de investimentos na área do gás, surgiria também um mercado do gás, o que não só mudaria as perspectivas nesta área no País como também o beneficiaria através da electrificação e do desenvolvimento industrial.

Um bom exemplo disto é a oportunidade de se comercializar gás para reforçar o fornecimento desse produto à Angola LNG.

Os custos de operação no País são elevados? Como torná-los menos onerosos? E qual a situação de Angola comparativamente a outros actores regionais?

De um modo geral, os custos de operação e investimento são elevados quando comparados com outras bacias de produção de petróleo no mundo. Os custos na África Ocidental são geralmente altos, contudo estamos a falar de um produto comercializado a nível global, portanto a concorrência não é apenas regional mas global.

Esta situação é o resultado de um mercado de mão-de-obra relativamente caro e da necessidade de se importar a maioria dos bens.
Os custos podem ser minimizados se se as forças do mercado funcionem. A longo prazo, o desenvolvimento da indústria local e a manufacturação são essenciais para a redução dos custos de forma sustentada.

A redução da burocracia e a eliminação de regulamentos que criam ineficiências são uma oportunidade de se melhorar a competitividade.

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