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Boicote obriga Google a rever política de publicidade

Empresa faz rara admissão de culpa e promete novas ferramentas para controlar conteúdos extremistas.

Por Paulo Narigão Reis 

A Google vai rever a sua política de publicidade em resposta ao crescente boicote por parte de vários e importantes anunciantes, incomodados pelo facto de os seus anúncios aparecerem lado a lado com mensagens extremistas. Ao mesmo tempo, o maior motor de busca do mundo apresentou um raro pedido de desculpa, prometendo introduzir uma série de novas ferramentas para impedir conteúdos publicitários indesejáveis.

“Sabemos que os anunciantes não querem os seus anúncios ao lado de conteúdos que não respeitam os seus valores. Por isso, a partir de hoje, vamos tomar uma posição mais dura relativamente a conteúdos agressivos, ofensivos ou insultuosos”, explicou o director comercial da Google, Philipp Schindler, numa mensagem publicada no site da empresa.

O “mea culpa” da Google, em que o gigante tecnológico não é propriamente useiro, surgiu depois de vários anunciantes terem retirado a publicidade do motor de busca. O boicote inclui empresas como McDonald’s, Marks & Spencer, BBC, Channel 4, Audi, Toyota, Volkswagen, Tesco, L’Oréal, HSBC, Lloyds, Royal Bank of Scotland e até o governo britânico, numa lista que, até terça-feira, já contava com cerca de 250 empresas. Os executivos da empresa foram, aliás, convocados para uma reunião com o governo britânico para explicar o que tencionam fazer para prevenir a difusão de conteúdo extremista anexado a publicidade quer na página da Google quer no YouTube.

No pedido de desculpas, Schindler diz que a Google “possui regras estritas que definem onde os anúncios devem aparecer, e, na maioria dos casos, essas políticas e ferramentas funcionam como deve ser”, admitindo que, “às vezes, as coisas não correm bem”.

“Recentemente, verificámos a existência de um número de casos em que a publicidade dos anunciantes apareceu junto a conteúdos que não estão alinhados com os seus valores. Pedimos, por isso, sinceras desculpas”, escreveu o CBO da Google.

Na sua mensagem, Schindler prometeu um controlo mais apertado.

“Nos próximos dias e meses, vamos introduzir novas ferramentas para que os anunciantes administrem de maneira mais fácil e consistente onde os seus anúncios devem aparecer”, escreve o responsável.

A Google prometeu ainda reforçar a sua equipa para permitir maior controlo sobre as mais de 400 horas de vídeos que são carregadas por minuto no YouTube.

Um dia antes da comunicação

do director comercial, já o presidente da divisão da Google para a Europa, Médio Oriente e África, Matt Brittin, tinha apresentado um pedido de desculpas durante a conferência Advertising Week Europe, que se realizou em Londres. “Gostaria de pedir desculpas aos associados e anunciantes que possam ter sido afectados porque os seus anúncios apareceram ao lado de conteúdo polémico”, disse Brittin.

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