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Alberto Oliveira Pinto vence Prémio Sagrada Esperança

O escritor angolano conquista o galardão pela segunda vez, depois de o ter feito em 1998, com o romance Mazanga. A obra premiada destacou-se entre 30, avaliadas pelo júri.

O vencedor do Prémio Literário Sagrada Esperança foi conhecido nesta semana, nas instalações do Ministério da Cultura. Alberto Oliveira Pinto vai receber o valor monetário de 1,5 milhões Kz, um diploma, o troféu e a edição da obra.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Mercado, o escritor afirma estar satisfeito com o reconhecimento de “um trabalho persistente e muitas vezes árduo. É uma honra e uma grande emoção, claro!” comenta ainda que “Imaginários da História Cultural de Angola” é um conjunto de ensaios que considera pós-doutorais. Escreveu-os entre 2010 e 2015. “Escrevi esta obra, preocupado com a chamada história cultural vista como um conjunto de significados e símbolos construídos pelos homens, abrangendo, além dos coloniais, os imaginários angolanos nativistas românticos (alguns já independentistas) do século XIX, assim como os nacionalistas que se foram formando, não só depois de 1945, mas sobretudo depois do Processo dos 50, no final da década de 1950”, explicou, ele que é também historiador. Alberto Oliveira Pinto dedica este prémio ao povo angolano. “Aliás, a Sagrada Esperança, que lhe dá nome, e a figura de Agostinho Neto devem, a meu ver, estar sempre presentes entre nós”, disse o autor.

O Prémio Sagrada Esperança é organizado em parceria com a Fundação Dr. António Agostinho Neto e com o Banco Caixa Angola, que patrocina a iniciativa desde 2011. A iniciativa visa promover o enriquecimento do universo simbólico e do imaginário da língua portuguesa, através do discurso literário, incentivar a criação literária, entre os autores nacionais, bem como assegurar o surgimento de novas obras editadas. O prémio é uma homenagem ao poeta António Agostinho Neto e é dirigido a autores angolanos, com ou sem obras publicadas. Existe desde 1980, constituído pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD). A obra Quem Me Dera Ser Onda, de Manuel Rui Monteiro, foi a primeira a ser galardoada.

Alberto Oliveira Pinto nasceu em Luanda aos8 de Janeiro de 1962. Licenciou–se em Direito em 1986 e é mestre em História de África pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 2004. O escritor é investigador do Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.O escritor é membro da UEA e foi distinguido com diversos prémios literários, de que se destacam o Prémio Revelação atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores em 1990, pelo romance O Senhor de Mompenedo, e o Prémio Sagrada Esperança pelo romance Mazanga, em 1998. E tem mantido o seu processo de produção e lançamento de obras literárias e cientificas com regularidade nas últimas três décadas. Recentemente, na área de investigação, lançou em 2012 Angola e as Retóricas Coloniais, e em 2016, História de Angola, da Pré-História ao Início do Século XXI.

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