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O exemplo da Taag

Reduzir prejuízos de uma organização empresarial em cerca de 97% é notável. Talvez não fosse tão assim se na base da referida percentagem estivessem valores facilmente superáveis. Não é bem o caso

Por César Silveira 

O prejuízo da TAAG passou de cerca de 175 milhões para 5 milhões de dólares naquele que foi o primeiro ano efectivo de actividade do conselho de administração liderado pelo Inglês Peter Hill, empossado no dia 30 de Setembro na sequência do acordo de gestão entre o governo e a Emirates.

Estes resultados indiciam ser possível a administração, no mínimo, cumprir o objectivo de, em três anos, atingir o break-even, como perspectivou Peter Hill em Maio de 2016.

Independentemente de vir a alcançar ou não este o objectivo, o resultado já alcançado é digno de realce. Mas mais do que merecedora de destaque, remete-nos a uma análise séria sobre o futuro das nossas empresas públicas. Será que temos que nos conformar que “santos de casa não fazem milagres”?
E se assim for, será apenas por incapacidade dos gestores ou também do accionista perceber a necessidade de criar um ambiente favorável para o bom desempenho do gestor quer este seja ou não estrangeiro. Quer este tenha ou não laços, mais ou menos, forte com o accionista. Ou melhor, ainda que este gestor seja “Santo da Casa” .

Os resultados, ora, alcançados pela Taag, não sendo ainda o desejado lucro, serve para despertar as nossas consciências. Perante aos constantes prejuízos passou-se a aceitar ser este o normal das empresas públicas. Afinal é possível serem lucrativas. Algumas vezes justificam-se os maus resultados económicos das empresas públicas com o argumento, segundo o qual além dos objectivos económicos estas empresas devem salvaguardar os sociais. Certo. Mas haverá outras formas de garantir o objectivo social destas empresas sem comprometer o económico.

Imaginemos que por via do cumprimento de todos os processos empresariais se tornem todas, mais ou menos, lucrativas. Poder-se-á, na sequência, criar-se um fundo sustentado com parte dos lucros destas empresas para acudir algumas das situações de caracter social, acobertas no dia-a-dia de actividade destas empresas. Uma ideia! Além do resultado animador, a gestão da TAAG deu outro sinal de pretender terminar com “um outro anormal” que passou a ser “normal” entre outros: A não apresentação das contas. Com excepção da Sonangol que, anualmente, publica o seu relatóre contas, desconhece-se prática semelhante nas demais empresas. Tal como exige a lei, em pleno mês de Março a gestão da TAAG convocou a imprensa para falar dos seus resultados. Notável, sobretudo quando de ano em ano testemunha-se através do acto de homologação de contas do Instituto do Sector Empresarial Público (ISEP) que inúmeras são as empresas que pura e simplesmente não cumprem com esta exigência que é de lei. Até mesmo ao ISEP, não apresentam.

Por via dos actos de homologação de conta do ISEP se vai sabendo que a Sonangol tem sido a principal responsável dos resultados positivos do sector. Com o preço do petróleo a ameaçar este ritmo de lucratividade da petrolífera, aumentam os desafios das demais empresas e a TAAG vem mostrar ser possível.

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