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Pensar fora da caixa

Já faz algum tempo, mas lembro-me como se fosse hoje, fiz uma pergunta que me atormentava- e ainda me atormenta – ao professor Eugénio Viassa Monteiro, ilustre fundador da AESE, meu quase tutor, nascido em Goa, terra dos meus avós e minha também. O tema versava Angola e Índia.

Por Nilza Rodrigues

Já faz algum tempo, mas lembro-me como se fosse hoje, fiz uma pergunta que me atormentava- e ainda me atormenta – ao professor Eugénio Viassa Monteiro, ilustre fundador da AESE, meu quase tutor, nascido em Goa, terra dos meus avós e minha também. O tema versava Angola e Índia.

“Como é que se pode pensar em desenvolvimento, apostar milhões na indústria, nas tecnologias, nos megas centros comerciais, se ao nosso lado, mesmo ali debaixo do nosso nariz, as questões sociais básicas não estão resolvidas?”

“Empreendedorismo social”.A resposta rápida e genuína. Pois sim. Para muitos, para quem esta dúvida subsiste, a resposta está dada. Um conceito que fica bonito no papel, na wikipédia, no nosso CV, até. Mas para quem pouco ou nada investiu na pesquisa, não percebe o ‘je ne sais quoi’ do empreendedorismo social. Eu troco o blá blá bla por miúdos: é fazer negócio tendo como fim o bem-estar social. É gerar luco. Também. Mas é, sobretudo, criar valor. De uma forma séria e responsável.

A História está cheia de bons exemplos que se escondem por trás daqueles que exibem as contas mais chorudas, os carros mais potentes, as tecnologias mais sofisticadas, as mansões mais vistosas. Faço, façamos, nós media, mea culpa, que tanto espaço damos a uns e tão pouco a outros.

Blake Mycoskie, empresário, durante uma viagem em 2006 ficou perplexo com as crianças descalças na Argentina. Criou TOMS Shoes e um conceito inovador: a cada par de calçados vendido pela empresa, um novo par seria doado para crianças de baixo rendimento. Já se venderam mais de 60 milhões de pares e outros tantos doados.

Jason Aramburu, empresário, criou a re:char, empresa que se dedica a criar carvão vegetal para ajudar os agricultores da África Oriental a combater a mudança climática e produzir mais alimentos. Para cada 60 dólares investidos, os agricultores economizam 200 dólares anuais, aumentam a produtividade em 26% e reduzem o consumo de fertilizantes químicos em 80%.

O jovem Juan Aristizábal lançou o Buena Nota e a Fundación Ideas por un país mejor, projecto que permite que pessoas interessadas em resolver problemas da comunidade se conectem e troquem informações. Ponto de encontro que já gerou centenas de negócios na Colômbia.

Não há truques aqui. Não há cartas escondidas na manga. Não há duplos sentidos. Há uma vontade intrínseca de querer fazer e depois há o pensar fora da caixa. Como? Sair do seu confortável T1. Olhar o mundo com sentido crítico e espírito empreendedor. Eduard Le Bono, o inventor do conceito Lateral Thinking, trouxe para a ribalta as múltiplas formas do pensamento criativo. É um mundo infindável, de facto. Basta pensarmos que tudo começou com uma ‘box’ no sentido literal do termo: uma caixa de puzzle. A partir daí o ‘think outside the box’ ganhou uma projecção global. Experimentemos. Pensar fora da caixa e com business inteligente. E não digam que vêm daqui!

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