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Whitey Basson: o responsável pela expansão da Shoprite

O nome de James Wellwood Basson (Whitey Basson) não surge nos vários motores
de busca sobre os CEO que por mais tempo desempenharam o cargo numa mesma
empresa de topo. Independentemente das razões, Basson esteve 37 anos como
CEO da Shoprite.

Por César Silveira

Aposentou-se em Dezembro de 2016, com 70 anos de idade, dos quais 37 como CEO da Shoprite, que é tão-somente a maior cadeia de retalho do continente africano. Não supera os mais de 50 anos de Buffett na Berkshire Hathaway ou de Leslie Wexner na L Brands, mas ultrapassa o tempo de serviço de outros CEO de empresas da Fortune 500.

Assumiu o cargo em 1979, na altura em que a Pep Stores adquiriu a Shoprite.

Resumia-se a uma cadeia de oito lojas, avaliada em cerca de um milhão de randes (cerca de 1,2 milhões de dólares na época). Até então Basson desempenhava o cargo de director das operações da Pep Stores, enquanto Chisto Wiese, actual presidente e maior accionista da Shoprite, era o segundo homem da organização. Wiese viria a tornar-se presidente da empresa em 1981. A amizade entre os dois, iniciada em 1965, continua, e terá sido determinante para o percurso de sucesso de Basson.

Numa das muitas entrevistas que concedeu, Wiese salientou a sintonia entre os dois. “Eu sou um financeiro, não um operacional. O meu trabalho é criar espaço corporativo para pessoas como Whitey fazerem o seu trabalho. Ele sabe que eu o irei sempre apoiar e eu sei, como accionista controlador, que ele vai cuidar dos interesses dos accionistas.” Basson transportou para a Shoprite o modelo da Pep, que visava fornecer roupas de qualidade e duráveis a preços baixos. Sempre que necessário, sacrificou a margem de lucro para manter este princípio. “Estamos preparados para sacrificar os lucros e continuar a ser a rede de retalho mais barata da África do Sul. Não podemos permitir que essa área da nossa marca se desfaça”, disse numa entrevista.

No entanto, fora da África do Sul nem sempre é possível honrar o princípio do baixo custo. A aposta passa pela variedade na oferta de produtos, mas sempre focados no objectivo de serem os melhores em cada mercado. Basson transformou a Shoprite de uma marca da cidade sul-africana do Cabo, na África do Sul, numa rede de 2653 pontos de vendas, dos quais mais de 1200 supermercados em diversos países do continente africano. Quando a deixou, era a maior rede de retalho de África, avaliada em cerca de 113,7 mil milhões de randes (8,7 mil milhões de dólares). Os números do último semestre da sua liderança (Julho-Dezembro de 2016) fixam-se em cerca de 71,30 mil milhões de randes (5,4 mil milhões dólares), resultado de um crescimento de 14% face ao semestre anterior. O lucro comercial aumentou cerca de 19,2%, para 3,9 mil milhões de randes (297,8 milhões de dólares).

“Estou cansado” é a frase que os jornais destacaram quando anunciou a decisão de deixar o cargo, em Novembro de 016. “Estou cansado, o negócio agora é enorme, há imensas questões a resolver e que exigem muito mais tempo”, disse na reunião anual de accionistas.

Na sequência, a empresa divulgou um comunicado salientando que “a decisão de Basson de se aposentar encerrará uma notável carreira de quase 45 anos, praticamente todo o tempo que despendeu com a Shoprite, na qual o negócio cresceu de uma pequena cadeia de oito lojas, com um valor de um milhão de randes, para um retalhista globalmente respeitado, com uma capitalização de mercado de 114 mil milhões de randes e mais de 140 mil funcionários”.

O presidente da organização e um dos homens mais ricos da África Sul, Chisto Wiese, classificou-o como “um líder muito forte e carismático, que geriu a empresa através de transições de mercado e tempos desafiadores, assumindo riscos calculados para transformar o grupo de supermercados no líder de retalho no continente africano”.

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