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Irmãos Dowbor…Ganhar com a imigração

O win win é um conceito que se enquadra bem nos casos bem–sucedidos de empresários imigrantes, que, por norma, têm impacto positivo na economia dos países de destino.

Por Vânia Andrade e César Silveira | Fotografia Njoi Fontes

Pelo mundo fora existem várias histórias de sucesso empresarial de imigrantes. Desde aquelas cujos protagonistas chegaram a um determinado país sem nada e se tornaram referências empresariais às dos que arriscaram o pouco que tinham, investindo num país que desconheciam por completo. Existem ainda os casos dos que foram obrigados a seguir os pais e a dar continuidade aos negócios iniciados por estes, fazendo-os crescer. Há também os que chegaram ao país de destino com certos recursos financeiros alicerçados no conhecimento que traziam de outros países para multiplicar o que tinham, e que se tornaram dignos de servir de exemplo de como os imigrantes podem influenciar o processo de inovação empresarial. Tudo exemplos de imigrantes que estão mais propensos a inovar devido ao conhecimento exclusivo que trazem dos mercados de origem, bem como da maior necessidade de se superarem comparativamente aos naturais.

Os irmãos Dowbor são um exemplo de sucesso de imigração no País no que ao investimento empresarial diz respeito. São proprietários da empresa Poltec, que se tem destacado pela inovação no mercado imobiliário. O seu mais recente projecto é a Urbanização Boa Vida, que está orçamentada em cerca de 500 milhões de dólares e consiste em a cinco condomínios fechados e independentes. São mais de 800 residências e 200 unidades comerciais, entre outros equipamentos, como escola, creche, centro comercial, supermercado, cinemas, ginásios e hotel (no caso, a empresa estreia no mercado a modalidade de “condo-hotel”).

“Angola passou por diferentes períodos, e um milhão de dólares actualmente é diferente de um milhão de dólares em 2002. Por isso, avançar este valor (quanto a empresa investiu nos diferentes projectos) seria uma situação arriscada. Para se aproximar da volumetria da Poltec, o que lhe posso dizer é que, há dois anos, para iniciar o projecto, eram necessários 50 milhões de dólares, e actualmente esta volumetria mudou e tivemos que aumentar o investimento, mas a viabilidade e sustentabilidade financeira deste projecto é garantida. Estamos absoluta e completamente à vontade”, afirma.

Tomasz Dowbor considera o referido projecto “o coroar da experiência e esforço da equipa da Poltec”. Com mais de 20 anos de actividade, a empresa tem no seu portefólio 15 projectos, como os Infinity III, bem como Vereda das Flores, Solida Plaza e ainda os condomínios Hípicus, Meridiem e Ville Vermount.

“Nós trabalhamos em Angola há mais de 20 anos e este é o nosso 15.º projecto. Sem falsas modéstias, podemos dizer que conquistámos um know-how e conhecimento do mercado angolano de tal forma importante que mesmo projectos deste porte somos capazes, desde o momento da aquisição do terreno ao lançamento, famílias angolanas, e no início dos anos 90 decidimos visitar Angola para conhecer o País e os seus habitantes.”

Em 1996, Tomasz Dowbor, o mais velho, reforçou a ligação com o País. “Angola, nos anos 90, era um país diferente do que é hoje”, recorda, mas nem mesmo as difíceis condições resultantes do período de guerra que o País atravessava o fizeram recuar. Pelo contrário, ficou cativado pela “forma simpática e acolhedora” como foi recebido. O facto de conviverem com a língua portuguesa facilitou o processo de adaptação. Além disso, tinha informações detalhadas sobre as dificuldades e potencialidades que encontraria, fruto da referida convivência com angolanos. Conhecimento que se revelou decisivo no primeiro dia que aterrou no País, permitindo-lhe encarar com normalidade as primeiras vicissitudes. “Vim com um amigo angolano que me iria guiar, mas quando aterrámos, por algum motivo, o carro desse indivíduo não apareceu para nos apanhar no aeroporto. Apanhámos um táxi, naquela altura um Mercedes sem portas, e para minha surpresa descemos 400 metros depois, no Bairro Rocha Pinto, porque o taxista se recusou a deixar-nos no destino. O guia levou-me até ao Rocha Pinto, para uma casa que não tinha chão, luz e água, e foi então que começou a minha história com Angola”, recorda.

Iniciou a vida empresarial desenvolvendo diferentes projectos no sector imobiliário, influenciado pela actividade da empresa familiar que tinham na Polónia.
“Entrei para o mundo empresarial por via da empresa familiar do meu pai e tive a primeira experiência na Polónia. O meu pai foi para mim um grande mentor e sem dúvida a pessoa que me incentivou a ganhar esta coragem e audácia de operar em países que para mim eram desconhecidos. Com muito orgulhoso, digo que nos anos de 1999/2000 construímos o primeiro condomínio em Saurimo, quando ainda não tinha estradas. Todos os equipamentos foram transportados via aérea. Foi uma empreitada extremamente complicada. Mesmo assim, levámos esta empreitada ao sucesso, e o condomínio existe até hoje.”

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