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Esmagados pela luz

Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT). Nascido do encontro entre as águas do Tejo e a luz de Lisboa, o novo edifício tem a pretensão de elevar a arte contemporânea e ser um espaço onde o visitante não tenha vontade de se ir embora.

Foi inaugurado em Outubro do ano passado e em apenas cinco meses é já um local de referência para quem visita Lisboa e que os habitantes da cidade já tratam por “tu”. E o caso não é para menos. O conceito arquitectónico nascido à beira-rio, ali bem perto da Torre de Belém e do Mosteiro dos Jerónimos, eleva o que Lisboa tem de único. É a arquitecta responsável pelo projecto, a britânica Amanda Levete, que explica esta singularidade que a apaixonou.

“Na primeira visita ao local, ficámos esmagados pelo sítio e pela luz. Devíamos ter ficado duas horas, mas ficámos umas oito e assistimos ao sol a pôr-se.” Este primeiro impacto foi determinante na construção do projecto e que se sente na pele quando ali nos encontramos.

Este é um espaço onde os visitantes podem ir, não apenas com o objectivo de visitar um museu, para usufruir de um local que é um passeio público, onde as pessoas se podem encontrar, estar e conversar, numa época em que tanto se comunica à distância.

São sete mil metros quadrados de construção, a que se soma um jardim público, e que começaram a ganhar forma em 2011, quando o presidente da EDP, António Mexia, foi ao atelier de Amanda Levete para lhe falar do ambicioso projecto que a empresa tinha para o espaço contíguo ao Museu da Electricidade, nascido na icónica estrutura da Central Tejo (antiga Central Termoeléctrica que abastecia Lisboa, construída em 1908).

As obras começaram em 2014 e foi ponto assente que o edifício teria de reflectir a luz do lugar. Desejo conseguido através de uma espécie de escamas brilhantes que se formam à superfície da estrutura. Foi atingido com os azulejos que revestem o edifício do MAAT e que já são um dos ex-líbris do museu. Amanda Levete explica como implementou este efeito quase mágico: “Conseguimo-lo com mosaicos tridimensionais. Os tons variam muito consoante a hora do dia, a estação do ano.” Os azulejos vieram de Barcelona, feitos pela mesma empresa familiar que trabalhou com o catalão Antoni Gaudí, a Cumella, e trabalha na Sagrada Família. Têm 60 centímetros de altura, estão assentes em placas de metal e são perfurados “para serem mais leves”, vinca Amanda. Minúsculos pontinhos castanhos fabricam a ilusão dos brilhos.

Uma vez no interior, somos impelidos a descer pela rampa da esquerda até ao centro da galeria oval, baptizada a partir da sua forma elíptica. “Lisboa tem sete colinas, a acessibilidade é muito difícil.

Queríamos que este edifício fosse muito inclusivo.” É neste espaço que confluem as três ideias do edifício: arte, arquitectura e tecnologia. E são muitas as formas que estão à disposição dos visitantes para que se apaixonem e explorem estas três vertentes. Até Agosto domina o espaço a exposição Utopia/Distopia,que, segundo o director do museu, Pedro Gadanho, “é um manifesto daquilo que quer ser em termos de intercessão entre arte, arquitectura e tecnologia.

É uma exposição que tem artistas e arquitectos em diálogo, apresentados como produtores culturais, que dão contributos para a reflexão dos momentos em que vivemos”.

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