Connect
To Top

O sucesso da coca-cola em tempo de crise

A preferência pelos produtos em garrafa passou de 15% para 50%, uma alteração com impacto positivo nos negócios da empresa

Por César Silveira | Fotografia Carlos Muyenga 

O paradigma de consumo dos produtos da Coca-Cola, em 2016, no País, alterou-se parcialmente, com as bebidas em garrafa a passarem a liderar a preferência dos consumidores, contrariamente ao que aconteceu até 2015, quando recaía nos produtos em lata. Naquele ano, 5 em cada 10 consumidores preferiam os refrigerantes em lata, enquanto os outros 50% eram repartidos, em partes iguais, entre os consumidores dos produtos em garrafa e em pack.

No mesmo ano, a multinacional comemorava 100 anos de existência da garrafa, e a Coca-Cola Company Angola aproveitou a ocasião para comunicar a intenção de alterar o paradigma em relação à preferência dos consumidores. Pretendia aumentar o consumo de produtos engarrafados, pelas vantagens económicas e ecológicas que representam para a empresa e para o meio ambiente.

Na altura, Artur Miranda era director da multinacional em Angola e anunciou a referida intenção em entrevista à Rumo. Agora como country manager para a África Austral, volta a falar sobre o tema à Rumo, garantindo que se registou uma reviravolta considerável.

Ou seja, em 2016 o consumo de bebidas em garrafa registou um crescimento significativo, para 60%, enquanto o consumo em lata caiu para cerca de 15%, tendo sido, inclusivamente, superado pelos produtos em pack,que passaram a ocupar o segundo lugar das preferências.

Isto foi importante para os negócios da companhia no mercado angolano e para que Angola continuasse a ser o terceiro maior mercado da África Austral, segundo Artur Miranda. “Por incrível que pareça, apesar da crise, o mercado angolano conseguiu manter a terceira posição nesta região tanto em termos de volume como de lucros, apesar de gerar menos volume de negócio. Isto porque conseguimos converter o valor da lata para a garrafa, um produto que conseguimos pôr a um menor preço no mercado, pois não temos que pagar a matéria-prima e é retornável. Em termos de perdas anuais, o fluxo de garrafas regista cerca de 3%, o que reduz os custos de produção. O que aconteceu foi que conseguimos substituir parte considerável de um produto mais caropor um mais barato. Por isso é que conseguimos aguentar o negócio e não despedir colaboradores. O vidro foi o nosso grande sucesso no meio da crise.”O gestor acredita que o figurino ora implementado se manterá. Um cenário que perspectiva bons negócios, devido às maiores margens de lucro que os produtos em garrafa dão.

Por outro lado, o mercado angolano passa a estar alinhado com os demais da região austral de África. “Outro país que era muito semelhante ao nosso era o Zimbabwé, mas conseguimos agora dar à volta. Em quase todos os outros países existe uma cultura muito forte do vidro, temos os produtos de vidro como os mais acessíveis em termos de custo para os consumidores. A lata e a pack são os produtos de conveniência, porque têm um custo de produção superior.”

Segundo dados adiantados pelo gestor, em 2016 as vendas dos produtos Coca-Cola em Angola registaram uma redução de cerca de 15%, mas houve uma melhoria quando comparada à redução de cerca de 25% registada em 2015, ambos em comparação às vendas de 2014, de cerca de 70 milhões de caixas.

“Não posso dar números concretos em relação ao mercado angolano, mas posso fornecer percentagens. Desde 2009, vínhamos de um crescimento médio anual alto, tendo atingido, inclusive, crescimentos de dois dígitos, isso até 2014, em termos de negócio total.

Em 2015 decrescemos cerca de 25% e em 2016 decrescemos novamente, mas, felizmente, registámos uma certa melhoria. Decrescemos entre 10% e 15% face a 2014, que foi o nosso melhor ano. Angola registou as maiores quebras da região austral do continente, embora alguns países da mesma região tenham tido crescimentos consideráveis, como a Namíbia e a África do Sul, que em 2014 estavam em cerca de 600 milhões de caixas e devem agora estar entre 700 e 800, continuando a ser os maiores mercados da companhia nesta região.”

You must be logged in to post a comment Login