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Resultados desastrosos afundam Snapchat

Após divulgação de resultados, as acções da criadora do Snapchat caíram 20% nas trocas fora de horas.

Por Ana Rita Guerra*

Havia muita expectativa em relação ao primeiro trimestre fiscal da Snap, criadora do Snapchat, depois da dispersão em bolsa. Praticamente tudo foi uma decepção: os prejuízos dispararam, o Snapchat cresceu menos que o esperado e a concorrência feroz do Facebook e Instagram fez estragos. O mercado reagiu com fúria aos resultados desastrosos, afundando as acções da empresa em 20% nas trocas fora de horas. O mais notório foi o agravamento brutal das perdas, que ultrapassaram os 2,2 mil milhões de dólares norte-americanos (contra 104 milhões no mesmo período do ano passado). A empresa justificou os números com obrigações relacionadas com a dispersão em bolsa, em Fevereiro.

No entanto, as más notícias foram gerais. A base de utilizadores activos diários atingiu os 166 milhões, um crescimento de 36% em relação ao primeiro trimestre de 2016 e de apenas 5% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Foi menos que o esperado pelo mercado e denota um abrandamento forte em relação ao ano passado, em que o crescimento em utilizadores diários superava os 50% por trimestre.

As receitas quase quadruplicaram para 149 milhões de dólares norte-americanos, mas os custos também – 163 milhões. Não só a empresa está a investir em mais produtos e melhorias técnicas, mas também aumentou bastante os seus quadros, passando de cerca de 1860 para 2360 empregados. Grande parte das receitas vieram da publicidade, salvo 8,3 milhões de dólares, que foram gerados pelos óculos de gravação Spectacles.

Na conferência com analistas que se seguiu à apresentação de resultados, o fundador e CEO Evan Spiegel referiu que este trimestre foi dedicado a melhorar a qualidade da aplicação do Snapchat, em especial para o sistema operativo Android.

De acordo com o executivo, o menor crescimento de utilizadores no final de 2016 deveu-se a vários problemas com a aplicação para aquele que é o sistema mais utilizado do mercado. Os utilizadores do Snapchat em Android representam 30% do total.

De qualquer forma, Spiegel também disse que não acredita num dos conceitos mais abusados no mundo das startups, “growth hacking” – um crescimento exponencial que rapidamente dá massa crítica mas nem sempre é sustentável ou garantia de sucesso no longo prazo. A sua visão, afirmou, é a de crescer através da remoção de barreiras ao processo criativo dos utilizadores.

Um dos momentos mais escaldantes da conversa com analistas aconteceu quando Evan Spiegel foi questionado sobre as funcionalidades do Snapchat que o Facebook tem copiado ultimamente. O executivo respondeu com ironia e uma gargalhada: “Só porque o Yahoo tem uma barra de pesquisa, isso não faz deles o Google.”

Dinheiro Vivo

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