Connect
To Top

EUA vão sair do Acordo de Paris, mas decisão não é irrevogável

Trump alega que saída do acordo pode beneficiar economia. Só que as empresas exportadoras poderão ser boicotadas pelo estrangeiro.

Por Diogo Ferreira Nunes

“Os Estados Unidos vão retirar-se do Acordo do Clima de Paris”. Donald Trump confirmou na quinta-feira a saída de uma das maiores economias do mundo do acordo para combater as alterações climáticas. Mas o documento deverá continuar a ter efeito, até porque a China e a União Europeia estão prontas para assumir a liderança do acordo subscrito por 195 países em 2015.

Além disso, os Estados Unidos só podem pedir formalmente a saída do Acordo do Clima a partir de Novembro de 2019, segundo a Bloomberg. Depois disso, tem de esperar ainda um ano para que seja formalmente retirado do acordo. Em Novembro de 2020, os Estados Unidos vão ter eleições presidenciais e a retirada do país do documento pode ser revogada pelo próximo Presidente. Ou pelo próprio Donald Trump. Até lá, o Presidente dos EUA diz que pretende renegociar o acordo climático “para voltar a entrar” ou mesmo para um novo acordo, “em termos que sejam justos para os Estados Unidos, para os negócios e para o povo.

Vamos negociar e tentar chegar a um acordo justo. Se formos capazes, óptimo. Se não, óptimo à mesma”, disse Trump. Só que o líder dos EUA não explicou quais são os termos da negociação. Além disso, Trump pode simplesmente mudar as metas de redução das emissões – determinadas de país a país – sem precisar de se sentar à mesma com outras entidades.

Vencedores e perdedores

No discurso à nação, Trump disse que o Acordo de Paris causaria um impacto para a economia de três mil milhões de dólares (2,67 mil milhões de euros) e levaria à perda de 6,5 milhões de empregos. Produção de papel, ferro e aço, carvão e gás natural seriam, na perspectiva do Presidente norte-americano, as indústrias mais afectadas. Só que as exportadoras norte-americanas podem conhecer barreiras caso os países que compram bens aos EUA decidam impor tarifas ou taxas de carbono sobre estes produtos. Há ainda o risco de boicote aos produtos norte-americanos como consequência da saída do acordo de país.
Além disso, nos Estados Unidos já trabalham mais pessoas na indústria solar, na instalação e manutenção, do que nas empresas que exploram carvão, que está cada vez mais automatizada, logo, necessita de menos recursos humanos. Os ambientalistas alertam ainda para possíveis impactos negativos nas indústrias relacionadas com as energias limpas, que realizaram avultados investimentos nos últimos anos para poder cumprir as políticas estabelecidas durante o mandato de Barack Obama.

Perda de conselheiros

Mais imediatos foram os efeitos do anúncio de quinta-feira para o próprio Donald Trump. O presidente executivo da Tesla, Elon Musk, e o líder da Walt Disney, Robert Iger, anunciaram a saída imediata da equipa de conselheiros em protesto contra o anúncio da saída do Acordo do Clima.

O Acordo do Clima de Paris foi assinado em 2015 por 195 países para combater as alterações climáticas. Agora, os Estados Unidos juntam-se à Síria e à Nicarágua – os únicos países que não participaram nas negociações do acordo, já ratificado por 147 nações. No entanto, importa ressalvar que a Nicarágua não entrou no acordo por considerar que não seria suficiente para abrandar o aquecimento global.

You must be logged in to post a comment Login