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Wichai Thongtang. O advogado mais rico do mundo

Wichai tornou-se advogado por vontade do pai. Era o mais novo de sete irmãos e todos se formaram em áreas em que o pai quis que se formassem. “O meu pai tinha uma óptima visão. Queria que todos tirassem cursos superiores.

Por César Silveira 

Tornou-se advogado por vontade do pai e investidor pelo contacto, na condição de advogado, com o mercado financeiro tailandês. Wichai Thongtang é actualmente, segundo os rankings especializados, o advogado mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em cerca de 1,54 mil milhões de dólares.

De 70 anos de idade, Wichai aponta 1978 como sendo o ano de viragem na sua vida. No começo da sua da carreira profissional, depoisda formação em Direito na Universidade de Thammasat, arranjou emprego como estagiário de Thawee Charoenpitak, um dos advogados mais conhecidos da década de 60 e especialista em parcerias e empresas. Nessa altura teve contacto com inúmeros casos financeiros e, segundo afirma, aprendeu muito com todos eles. “O meu ponto de viragem foi quando fui contratado para ajudar num caso que resultou do colapso do mercado de acções, em 1978”, explicou numa entrevista que concedeu, em 2012, ao Bangkok Post.

Estava então com 31 anos e sentia-se preparado para começar a enveredar por uma carreira fora do escritório onde estagiava. “Foi um grande desafio para mim. Aprendi a ser um investidor, para além de advogado, e isso seduziu-me imenso. Depois comecei a investir no mercado de acções”, recorda.
E não mais parou. “O encanto do investimento em acções é quando se consegue lucrar, e isso não é apenas ganhar dinheiro, é sentir que estavas certo quando pensavas sob determinado ângulo e os teus cálculos estavam também correctos.”

Também investiu na compra e venda de propriedades, algumas das quais obteve como pagamento dos seus serviços jurídicos. Estima-se que terá tido lucros consideráveis durante o boom imobiliário registado na Tailândia entre 1988 e 1990. Em 2001 tornou-se um advogado muito conhecido em virtude da defesa com sucesso do então primeiro-ministro Thaksin Shinawatra no caso de dissimulação de activos.

Nas diversas ocasiões que falou sobre o assunto, garantiu que não aceitou o caso por motivações políticas e muito menos por lhe serem dadas vantagens especiais, embora haja quem afirme ter sido na sequência deste processo que conseguiu adquirir um hospital… e consolidar os negócios no sector da saúde, que é onde tem maiores investimentos. Os argumentos que apontam para uma suposta prerrogativa especial alicerçam-se no facto de Wachai ter comprado o referido hospital no mesmo ano em que defendeu o ex-primeiro-ministro. Mas ele nega estas acusações e garante ser apenas uma coincidência, pois a intenção de comprar o referido hospital vinha de há muitos anos.

Sustenta este argumento com o facto de ter adquirido participações em três hospitais em 1994 (Muangrak), 1999 (Sikarin) e 2000 (Paolo).

“O meu pai e um dos meus irmãos mais velhos são médicos, por isso estou familiarizado com este negócio. Está no meu sangue também. O negócio da saúde tem sido parte das nossas vidas desde que nascemos. Então, naquela época pensei que deveria ser um bom negócio”, referiu na entrevista ao Bangkok Post.

Mas também tem investimentos noutros sectores. Está envolvido nos principais negócios de fusão e aquisição do mercado tailandês e muitos consideram-no o rei das aquisições da Tailândia. São-lhe reconhecidas aptidões para recuperar empresas em dificuldades. Além do sector da saúde, tem fortes investimentos em televisão por subscrição, destacando-se a insígnia CTH, com a qual, em 2012, surpreendeu tudo e todos ao ganhar o direito de transmissão dos jogos da Premier League inglesa, tendo deixado para trás a TrueVisions, a maior operadora de televisão paga do país.

Wichai tornou-se advogado por vontade do pai, que era médico tradicional. Era o mais novo de sete irmãos e todos se formaram em áreas em que o pai quis que se formassem. “O meu pai tinha uma óptima visão. Queria que todos tirassem cursos superiores.”

Desde cedo começou a ouvir o pai falar que a família precisava de um advogado, porque sofreram então a ameaça de terem a casa incendiada por motivos políticas. “A razão pela qual o meu pai queria que eu estudasse Direito surgiu quando a nossa família enfrentou essa ameaça.”

 

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