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A magnanimidade do perdão

China perdoa dívida parcial de Angola. 5 de Junho é o dia em que as relações sinoangolanas apertaram o botão reset.

Por Cláudia Simões

China perdoa dívida parcial de Angola. 5 de Junho é o dia em que as relações sino-angolanas apertaram o botão reset. E quanto vale este gesto de magnanimidade? 97, 37 milhões yuans (equivalente a 14,3 milhões USD). O valor pode ser relativo,mas o gesto, grande. O “acto de boa fé” foi selado com a assinatura do protocolo a dispensar a amortização do empréstimo de dois acordos de cooperação económica e técnica, em período de reembolso em 2015.

De um lado, o ministro de Estado e Chefe da Casa da Segurança do Presidente da República, Manuel Hélder Vieira Dias e do outro, o conselheiro de Estado do Conselho da República Popular da China, Wang Jong, conduziram as conversações.

A decisão como é evidente vinde aliviar o governo angolano, com objectivo de apoiar o desenvolvimento da economia do País. Não é algo de espanto, quando a China é o país que mais financia a construção de infra-estruturas em África. No caso de Angola, os números não mentem.

As trocas comerciais entre os dois países, que assinaram um acordo de parceria estratégica, atingiram a cifra de 19 mil milhões de dólares em 2015.
Em 2016, as exportações angolanas para a China cifraram-se em cerca de 14 mil milhões de dólares e as importações angolanas da China em cerca de 1,8 mil milhões de dólares norte-americanos.

Ao abrigo da Linha de Crédito da China (LCC), no fim do ano passado, foi fechado mais um financiamento de mais de 7,8 mil milhões de dólares para projectos de obras públicas no País.

Se olharmos no plano geral, a dívida perdoada representa um voto de confiança por parte da China e ao mesmo tempo envia uma mensagem ao mundo. Prova disso, é a inauguração da sucursal do Banco da China em Luanda. Chen Siqing, presidente do Banco da China, afirma que os dois países têm a aspiração comum para o desenvolvimento e uma base sólida para a cooperação win-win.

A entrada do quarto maior banco do mundo em capital de base no sistema financeiro angolano veio facilitar as operacionalizações de crédito e agilizar os pagamentos entre empresas e instituições de ambos países. Mais importante, “limpar a imagem” e diminuir a incerteza do sistema financeiro diante da comunidade internacional.

Por outro lado, com o renminbi em circulação, o País encontra resposta para a escassez de divisas, resultado do declínio das receitas do petróleo. Uma vez que a falta de moeda estrangeira é actualmente uma das principais restrições ao crescimento económico angolano, limitando a liquidez dos bancos locais, dificultando o pagamento das empresas e afectando o comércio externo.

Se no caso do que foi dito a priori, não o convencer, tome as palavras do ministro das Finanças, Archer Mangueira aquando da inauguração: “A desconfiança dos correspondentes, principalmente ocidentais, será minimizada com o pleno funcionamento da sucursal do Banco da China no sistema financeiro angolano, pela especialização deste em operações internacionais na moeda chinesa, renminbi, agora de conversão directa com o kwanza, meio de pagamento na economia nacional.”

I rest my case.

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