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QI emocional. Sinto, logo existo

Howard Gardner, professor de Harvard, deita por terra a teoria de que só termos um QI.

Por Nilza Rodrigues 

Howard Gardner, professor de Harvard, deita por terra a teoria de que só termos um QI. Anuncia cinco tipos de inteligência na sua obra ‘Franes of Mind’: a linguística para quem é bom na retórica; a matemática para quem é ábil com números; a visual para quem é mestre no tridimensional; a física para quem é ‘elástico’ em actividades físicas; a intrapessoal para quem é feliz na introspecção e a interpessoal, para quem tem um ‘je ne c’est quoi’ a lidar com os outros.

Por outra, Daniel Goleman, reputado psicólogo, vai seguro de que cinco é too much, porque na realidade tudo se resume a um conceito…inteligência emocional. “Quem tem inteligência emocional geralmente é confiante, sabe trabalhar na direção das suas metas, é adaptável e flexível. E…recupera rapidamente do stresse e é resistente”, explica o autor de “Focus: The Hidden Driver of Excellence” [“Foco: O Motor Oculto da Excelência”]. Autoconsciência, autorregulação, motivação, habilidades sociais e empatia são, para Goleman, as componentes da IE que nos fazem ter sucesso num projecto, numa carreira, na vida.

Um tema polémico. Como se mede a inteligência emocional de alguém? De uma forma intuita? Como conseguem os departamentos de RH fazer um recrutamento eficaz, para minimizar os erros de castings. Hoje ter um licenciatura, uma pós-graduação e até um MBA já não é propriamente um elemento diferenciador, porque estamos conscientes de que se não os tivermos, nem sequer estamos na corrida.

Prosseguimos. Goleman fala em sinais. O fenómeno empático, pessoas que sentem curiosidade por outras, que estão sincronizadas com as necessidades de outrem, são mais convincentes; a liderança nata, ninguém congrega consenso só com o saber dos livros; a ‘identidade moral’, ou seja a vontade imensa de actuar sempre com ética e levar essa ética aos outros; desacelerar ou seja saber o momento em que temos de parar de olhar para o nosso mundinho e ajudar o próximo; resiliência, o famoso cai-levanta diz muito da perseverança, seguir em frente e não estar preso a emoções negativas; ser intuito, ser capaz de confiar em si mesmo e nas suas emoções, não há motivo para não escutar aquela voz interior; ser auto motivado, não precisa de estar à espera da pancadinha nas costas e…saber dizer não, em nome de um foco maior.

Os factores emocionais são, de facto, dferenciadores, nos tempos que correm. Os skills, por muito que os tenhamos na nossa ‘box’ cerebral, não nos tornam mais do que exímios tecnocratas se não soubermos usar da nossas capacidades emocionais para levar um barco a bom porto.

“Poderoso é aquele que tem a si próprio sob controle.” Séneca, intelectual do império romano que entendia o cumprimento do dever como um serviço à Humanidade.

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