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Lenovo “não quer saber” da liderança do mercado de PC

CEO da Lenovo, Yuanqing Yang, diz que o computador pessoal como o conhecemos “não tem futuro”.

Por Ana Rita Guerra 

O primeiro trimestre de 2017 trouxe dissabores para a Lenovo no mercado de computadores, quando a marca chinesa perdeu a liderança mundial para a HP.

Há quatro anos que tal não acontecia, e segundo os dados da IDC as duas marcas estão numa corrida muito cerrada pela primazia – 21,8% contra 20,4% de quota. No entanto, o CEO da Lenovo, Yuanqing Yang, garante que já não está preocupado com isto. A estratégia da empresa chinesa, que há treze anos comprou o negócio de PC da IBM, agora é outra.

“Não queremos saber se somos número um ou número dois no mercado de PC. Não queremos saber”, respondeu Yang ao Dinheiro Vivo, à margem do evento Lenovo Transform que decorre em Nova Iorque.

“Queremos, no futuro, ser líderes nesta nova era.” O CEO referia-se à era da “internet inteligente”, em que os dispositivos de computação pessoal passam a ser de computação personalizada. “Com esta nova definição, tudo é um PC. Os smartphones também o são, os altifalante e televisões inteligentes… Ao longo do tempo, a realidade aumentada e virtual também serão dispositivos de computação pessoal.” A Lenovo lançou recentemente o seu próprio altifalante inteligente, que compete com o Amazon Echo, Google Home e em breve com o Apple HomePod.

A empresa também espera tornar o seu negócio de smartphones Motorola rentável na segunda metade deste ano, segundo revelou Yang. Uma das afirmações mais sonantes do CEO foi esta: “O computador pessoal não tem futuro.” O líder da marca chinesa acredita que é preciso focar num conceito mais abrangente de PC, e por isso a sua nova estratégia passa por esta categoria de computação personalizada, além dos centros de dados (onde anunciou o maior investimento de sempre e a ambição de chegar a número um).

“Estamos a desenvolver dispositivos alimentados a inteligência artificial e nuvem, para podermos oferecer dispositivos de computação personalizados”, concluiu. Esta mudança de estratégia tem um fundamento: o mercado de computadores tradicionais (o que inclui desktop, workstation e portáteis) está em contração há bastante tempo, e só registou uma recuperação mínima no início deste ano.

O paradigma está a mudar, e embora a Lenovo continue a investir no segmento – neste evento, a marca apresentou a workstation mais pequena do mundo – a direção sabe que nunca mais haverá taxas de crescimento como em décadas passadas. Por isso, o grande foco está em tornar-se uma fornecedora de topo de infraestruturas para centros de dados, capitalizando na marca ThinkPad que herdou da IBM – o grupo de data center anunciou duas novas marcas, ThinkSystem e ThinkAgile.

Além disso, a empresa está a apostar bastante na realidade aumentada com aplicações comerciais; não propriamente os smartphones Tango nem óculos à ciborgue, mas uma abordagem como integradora, em que vai buscar o melhor hardware, software e conteúdos e empacota numa solução para vender em quatro verticais-chave: saúde, educação, retalho e design. “Estamos no início da quarta revolução industrial”, notou Yang, na apresentação de abertura. “Vai transformar a forma como vivemos e trabalhamos de uma maneira que era impensável até há poucos anos.”

A Lenovo quer redefinir as tecnologias de informação, adicionando inteligência artificial e tornando-se uma potência no segmento de supercomputadores. Aliás, a ambição é chegar a número um neste mercado incrivelmente competitivo, que serve sobretudo os campos científicos e está a agora a crescer impulsionado pela IA e projectos de deep learning.

“Somos a empresa que mais rapidamente cresceu nos supercomputadores durante os últimos três anos”, declarou o presidente do grupo de data center da Lenovo, Kirk Skaugen. Neste momento, a empresa tem 92 sistemas no Top 500, um ranking que é publicado duas vezes por ano. Para provar o seu compromisso, a Lenovo anunciou a implementação do maior supercomputador baseado em arquitectura Intel no Centro de Supercomputação de Barcelona, o MareNostrum 4. O sistema está agora na 13ª posição no Top 500 de supercomputadores, que foi divulgado esta semana. Tem uma capacidade de 11.1 petaflops e consiste em mais de 3400 nós de servidores Lenovo com processadores Xeon, da Intel. Será usado para investigação científica, desde o genoma humano a biomecânica, composição atmosférica e previsões meteorológicas de grande escala. Skaugen não deixa dúvidas: “Queremos ser número um em supercomputadores em 2020.”

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