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Era uma vez…

Os negócios têm que ser sustentáveis, produtivos e as regras de confiança robustas.

Por Naiole Cohen dos Santos 

Parei para ouvir esta história. Era uma vez… um homem muito rico, que tinha investimentos em todo o mundo e queria continuar a diversificar o seu portefólio. Olhou…, olhou para o mapa do mundo e identificou um país muito rico e bonito e resolveu ir até lá… Ups! Não foi logo possível… não tinha convite. Para ir visitar o país lindo, rico e “simpático” precisava de uma carta convite. Mas como era um homem muito rico e influente conseguiu um convite.
Mas… outro mas, tinha que apanhar vacinas, se não…

Passadas as primeiras surpresas, o optimista investidor embarcou, chegou e entrou!

Apresentou o seu projecto no sector de interesse de investimento, que foi muito aplaudido pela pertinência e alavancagem na diversificação da economia. Manteve conversas com os investidores do país lindo que foram todas interessantes, mas as respostas pragmáticas sobre a estrutura de custos, sobre a capacidade técnica e humana do lindo país, sobre a contabilidade, sobre os modelos de governança, levavam… tempo, tempo… e mais tempo.
Tempo em negócios é dinheiro. O tempo é também uma variável de confiança no retorno do investimento.

Entre pessoas bonitas, festas e muita conversa, o homem muito rico ficava entusiasmado; mas o investidor precisa de evidências, quer ser rápido, produtivo e a burocracia traduz uma perda brutal de tempo e de dinheiro. O custo inicial de investimento, mais os extras, como o gerador, bomba de água e segurança, sem falar nas toneladas de “carimbos”, somado aquilo a que se chama “gasosa”, mostravam na análise de rentabilidade que o investimento corria o risco de ser inviável.

Ups! E então? Todos de acordo de que o investimento estrangeiro é útil na inovação, na transferência de tecnologia; é útil nos novos mercados enquadrados em sistemas avançados de organização. Todos de acordo de que as escritas legislativas do país lindo e simpático eram perfeitas. Mas, sempre o mas… O caminho para a prática era obscuro e cheio de “faz favor”. O investidor sabia que na análise de riscos para o investimento não basta a observação quantitativa e financeira com objectivos prospectivos; é crucial a análise de variáveis não financeiras, qualitativas e informação histórica de experiências semelhantes. O diagnóstico nesse sentido revelou um alto risco na obtenção de vistos para mão-de-obra estrangeira, atrasos de pagamentos, incumprimento de contratos, corrupção (um custo adicional) e a incerteza permanente dos custos efectivos. Potenciado pela ineficiência da Administração Pública, notários, licenças, registos, uma mistura explosiva para atractividade do investimento.

O entusiasmado homem muito rico começou a ficar cansado de não conseguir estabelecer-se.

Lamentou ser-lhe imposto um parceiro local. Sem ter hipóteses de escolher… pegou no seu avião e pensou… “Que pena! Um país lindo, cheio de potencial, as pessoas agradáveis com vontade de aprender!

Mas… os negócios têm que ser sustentáveis, produtivos e as regras de confiança robustas.” Foi-se embora do país lindo, rico e simpático. Fiquei triste. Gosto mais de histórias que contam que… “foram felizes para sempre”…

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