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“Não sou muito amigo da palavra luxo”

Entrou na Pelcor comprando uma participação de 40%, mas em Outubro do ano passado acabou por ficar com o controlo e na liderança da empresa. O objectivo é transformar a empresa de acessórios de cortiça numa marca de lifestyle e apostar fortemente nas plataformas electrónicas para subir vendas.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes 

O que o levou a decidir entrar no capital da Pelcor e, depois, a querer controlar a empresa?

A entrada no capital da Pelcor teve a ver com uma questão de oportunidade, de que tomei conhecimento. Achei interessante o potencial da cortiça e não pensei duas vezes. O assumir do controlo teve a ver com a situação de gestão e sobrevivência da empresa.

Que Pelcor encontrou e que Pelcor tem hoje? Novos produtos, novos métodos de gestão, nova abordagem ao negócio?

Encontrei uma marca de acessórios de moda feitos em cortiça, e estamos no processo de transformação para uma empresa de ecofriendly lifestyle/maneira de estar/estilo de vida ecológico) com recursos humanos capazes de levar a marca para este objectivo.

Quais os produtos da Pelcor mais relevantes?

Todos são relevantes.

Que novidades estão na calha?

Temos estado a melhorar as nossas linhas de produtos. Em relação à marca Pelcor, já temos mais produtos para homens, iremos ter calçado e linhas específicas de malas para alguns mercados em que operamos. Teremos a Linha Corky by Pelcor, direccionada para animais e novos produtos, verdadeiras peças de arte. A Linha Home by Pelcor, depois do lançamento do Café Orgânico, dos sabonetes exfoliantes, irá ser uma referência a nível de artigos para casa. Iremos celebrar o primeiro aniversário da loja e nova gestão em Setembro e esperamos ter algumas novidades já por esta altura.

Abriram uma operação em Nova Iorque, num espaço multimarcas, mas havia o plano de, este ano, terem uma loja própria nos EUA…

Encerrámos a nossa presença no Soho, em Nova Iorque, não tivemos a rentabilidade esperada. A decisão de entrar para esse mercado foi de algum entusiasmo, mas houve falta de maturidade. Não estávamos preparados a nível de produtos e oferta para estar lá. Mas foi com certeza uma boa lição e experiência, porque não basta termos artigos em cortiça ecológicos, é necessário haver design e toda uma comunicação que vá ao encontro das exigências e necessidades do consumidor.

Planeiam abrir lojas em mais alguma geografia?

Não.

Em relação as vendas, houve evolução no ano passado face a 2015, e nos primeiros meses deste ano face ao homólogo?

No ano passado crescemos cerca de 15% face a 2015 e, com uma nova loja online própria, fornecemos para todo o mundo. Também contamos com as plataformas de comércio electrónico de terceiros, e prevemos entrar em Setembro para a Alibaba, para fazermos face ao mercado asiático de forma mais segura e sustentável.

Em que mercados estão a vender actualmente, e qual é o mecanismo de distribuição?

Estamos em Portugal com loja própria e distribuidores locais, temos parceiros distribuidores na Croácia, Angola e China, aqui com alguma debilidade, pois ainda não identificámos o parceiro certo, mas prevemos poder cobrir esta grande lacuna por via da nossa entrada na Alibaba. Mas considero que já estamos em todo o mundo pelo comércio electrónico… enviamos , enviamos produtos para todos os cantos da América, Coreia, Japão, África do Sul.

Considera a cortiça um produto de luxo?

Não sou muito amigo da palavra luxo, mas sim, é uma matéria-prima ecológica de luxo.

Quais as prioridades em termos de novos mercados?

Os mercados asiático, africano e do Norte da Europa vão continuar a merecer a nossa maior atenção. Pretendemos fortalecer a nossa presença e divulgação das nossas marcas.

Actualmente em quanto está avaliada a marca Pelcor?

A Pelcor e submarcas estão avaliadas acima dos 10 milhões USD.

Quantos funcionários têm?

Em Portugal, neste momento, temos oito, e noutros países, no total, 10.

Os artigos são fabricados em Portugal?

90% dos nossos artigos são feitos em Portugal com vários parceiros a nível de fabricação entre Norte e Sul de Portugal.

Qual é o produto com preço mais acessível? E o mais caro?

Os mais acessíveis são os sabonetes esfoliantes, que foram colocados no mercado no início da Primavera e que, felizmente, estão a ter uma grande aderência. O artigo mais dispendioso é a Clutch Neptune.

Considera a Pelcor uma marca para todos?

Pretendemos ser uma marca para todos, temos artigos de várias categorias e preços. Chegar alto com boa atitude.

Nasceu em Angola, estudou e viveu na Alemanha e na África do Sul, é piloto de aviões, fez carreira na gestão é hoje um empreendedor e um exemplo a seguir pelos jovens angolanos. Recentemente tomou conta da Pelcor, ganhando mais visibilidade internacional. A persistência é das características que Rui Tati mais aprecia.

A determinação, a disciplina, o rigor e, acima de tudo, a persistência são as qualidades a que Rui Tati dá mais valor num gestor, e a ganância é característica que mais lamenta. Aos 41 anos, dirige empresas em Angola e no exterior, é consultor, no País e noutras regiões africanas, nas área de oil&gas e distribuição de energia, e assume-se como um empreendedor sempre atento a oportunidades.

“A atitude determina a nossa altitude”, defende o gestor, que é também piloto de aviões. E isso faz a diferença num gestor, acredita Rui Tati, que alerta que, se forem movidas pela ganância, as pessoas “acabam por se tornar cegas e cometem todo o tipo de atropelos para cada vez mais atingirem os fins sem olhares a meios”.

Empreendedor assumido, aconselha os jovens que têm ideias e vontade de lançar projectos a “não desistir”, correndo atrás do sonho. “Existem investidores espalhados por todo o mundo.

Às vezes só precisamos de enviar um email para a pessoa certa”, afirma Rui Tati, que sublinha a importância da “disciplina” para que os projectos cheguem a bom porto.

Angola, defende, vale a pena como destino de investimento, mas quem aqui coloca o seu dinheiro deve entender que vem para uma maratona e não para um sprint.
“Quem quer investir em Angola deve seguir as regras e normas legais do investidores, consciente de que vai investir para rentabilizar o seu capital e trazer mais valia para si e para Angola a médio, longo prazo”, afirma.

Por isso, a quem pretende fazer investimentos no País aconselha a “não ter pressa de recuperar o investimento nem a ganância de ganhar em excesso”.
O turismo, afirma, é uma das áreas em que Angola – e os investidores – devem apostar. “Continuamos a ser virgens em quase todos os sectores, mas este é, sem dúvida, um dia negócio do futuro”, diz Rui Tati, para quem a cultura do empreendedorismo se desenvolve facilitando e promovendo o talento nacional”.
O projecto da sua vida, assume, é aquele que possa “contribuir para uma maior credibilidade em torno do empresariado angolano a nível internacional”. Sem adiantar detalhes, revela que esse projecto, seria feito “de Angola para o mundo”.

Leia mais, na edição de Junho da Revista Rumo, já nas bancas. 

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