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Visão de uma Luanda para 2030

Uma equipa de jovens profissionais partilha a sua visão contemporânea de espaços públicos para uma Luandado futuro. Belarmino dos Santos, CEO da Building Society for Architecture, conta o impacto que sentiu ao retornar ao País após uma ausência de 14 anos.

Em 2008 encontrei uma cidade já em galopante transformação”, relembra o profissional de sentido crítico, sempre ávido por mostrar tudo o que aprendeu.

A crítica é um lugar-comum, sobretudo quando olhamos à volta e são inúmeros os problemas urbanísticos. Não é preciso ser arquitecto para os detectar, basta viver nesta cidade e sentir no dia-a-dia as dificuldades básicas relacionadas com a mobilidade, o tráfego e a falta de espaços públicos: parques, praças, áreas verdes… espaços de lazer, de recreio e de contacto com a Natureza.

Esta não é uma característica exclusiva de Luanda, pois a maioria das grandes cidades mundiais enfrenta este problema da falta de espaços públicos ou da ausência de qualidade dos espaços existentes. Encontrar estes espaços nas cidades é muitas vezes difícil, dada a crescente pressão criada pela necessidade de acomodar habitação, indústria e outras infra-estruturas para uma população urbana cada vez mais alargada.

A ausência destes espaços públicos tem um forte impacto social, já que os espaços verdes e permeáveis promovem o bem-estar, o lazer e o encontro, mas também um impacto ecológico de preservação da biodiversidade e do reabastecimento dos lençóis freáticos. Escusado será referir que é urgente implementar estratégias de ordenamento do território e de gestão ambiental, tanto para consolidar as áreas verdes que existem como para cri novas áreas e garantir uma mancha verde cada vez maior nas cidades e, desta forma, uma sobrevivência salutar da fauna e da flora urbanas.

Desde 2008 que Luanda cresce vertiginosamente, e no que diz respeito aos espaços públicos começamos a ver tímidas intervenções para a sua introdução na cidade.

Na verdade, serão necessários muitos mais espaços para que se criem alternativas harmoniosas na malha urbana.

Cabe então aos decisores disponibilizar áreas verdes em quantidade e qualidade, uniformemente conectadas entre si, equilibrando a função ecológica e social, para proporcionar benefícios ao nosso bem-estar e à saúde pública e criar locais de recriação cultural.

Os espaços públicos são determinantes para o desenvolvimento da cidade do ponto de vista estético, social, ambiental e económico. A conectividade desta green network,uma rede de espaços verdes ligados entre si, deve ser mantida e utilizada permanentemente, caso contrário, quando abandonados, esses mesmos espaços podem fomentar a insegurança, a degradação, o acumular de resíduos e a proliferação de habitações informais.
As pessoas queixam-se de não conseguirem andar a pé em Luanda, pois, ainda que em curtas distâncias, é praticamente impossível caminhar pelas ruas sem encontrar passeios esburacados, águas estagnadas, falta de sombra… Ouvir constantemente estes relatos é frustrante, sobretudo por convivermos com todas estas novas criações arquitectónicas alheadas do bem-estar social.

A Building Society for Architecture, emcolaboração com a revista Rumo, propõea publicação de 12 artigos, ao longo de12 meses, com o objectivo principal da consciencialização do público para a importância do espaço público nas cidades, nomeadamente na cidade de Luanda.
Ao longo de um ano iremos apresentar a nossa visão da cidade de luanda, e depois guiaremos os leitores pelas diferentes funções que os espaços públicos podem assumir numa cidade.

Apresentaremos um diagnóstico de vários espaços públicos de Luanda, mostraremos espaços de referência noutros contextos próximos e distantes de Luanda como exemplos práticos da concretização da utilidade dos espaços públicos, conjuntamente com iniciativas cívicas para a dinamização dessas cidades.
Aproveitaremos também esta oportunidade para questionar e apresentar o pensamento de luandenses sobre a sua cidade. Por fim, consideramos essencial desenvolver um caso concreto de como essa nossa visão se poderá formalizar num local específico, com o contributo de todos os que participarem na auscultação pública.

Queremos que estes artigos sejam um ponto de partida para o exercício da cidadania – uma cidadania consciente e informada. Nós, como especialistas na área, sentimos o dever de mostrar um caminho, para que outros possam também desenvolver o deles.

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