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O renovável mundo novo

Aumento da potência instalada, novos modelos de negócio geradores de emprego e custos cada vez mais baixos. O futuro será construído com energias renováveis e o nosso planeta agradece.

Por Paulo Narigão Reis

O acordo climático de Paris vai sobreviver à saída intempestiva dos Estados Unidos de Donald Trump. Ainda mal o Presidente norte-americano acabara de fazer a famigerada proclamação, já o resto do mundo, com China e Europa à cabeça, se comprometia a prosseguir um caminho que tem tanto de inevitável como de imperativo: o futuro terá de ser sustentável e renovável para que os nossos filhos e netos possam ter a hipótese de viver num planeta minimamente habitável. A revolta contra a mal-informada decisão de Trump estendeu-se, aliás, aos próprios Estados Unidos. Pelo menos três Estados e dezenas de cidades fizeram logo saber que vão continuar a apostar na redução das emissões de CO2 e na promoção das energias renováveis, entre eles o Estado da Califórnia – que, se fosse uma nação, seria a sexta economia mundial – e cidades como Nova Iorque, São Francisco, Miami, Houston e Seattle.

A contestação estendeu-se à maioria das grandes empresas norte-americanas e multinacionais de vários ramos de actividade, incluindo gigantes tecnológicos, como o Facebook, Google, Microsoft, Apple, Amazon e Tesla, poderosos bancos de Wall Street, como o Goldman Sachs e o JP Morgan, ou até companhias petrolíferas, como a Chevron ou a Shell, conscientes de que o novo mundo será obrigatoriamente renovável.

A decisão de Donald Trump coincidiu com a divulgação do relatório anual da REN21, rede global de associações, empresas e instituições académicas dedicada à promoção e estudo das energias renováveis e das políticas sustentáveis. Intitulado Relatório da Situação Global das Energias Renováveis 2017, o estudo destaca o crescimento – e a inevitabilidade – das fontes de energia renovável, que em 2016 obtiveram o recorde de 161 gigawatts (GW) de potência instalada, aumentando a capacidade global total em quase 9% em relação ao ano de 2015, ainda por cima por menos dinheiro – o valor do investimento foi 23% inferior ao ano anterior, resultado da queda dos custos graças ao avanço tecnológico. Conclusão: as fontes de energia renovável já são a opção de menor custo, como demonstra o relatório da REN21.

“Em recentes negócios na Dinamarca, Egipto, Índia, México, Peru e Emirados Árabes Unidos, a energia renovável foi fornecida a 0,05 dólares por quilowatt/hora ou a um valor inferior”, informa a REN21, que, através da comparação com os custos equivalentes para a produção de energia eléctrica por via fóssil ou nuclear em cada um destes países, chega à conclusão de que as energias renováveis são hoje mais custo-eficiente do que as alternativas convencionais.

O relatório revela que em 2016 o aumento da capacidade global (quase 9%) para 2017 GW se deveu, em grande parte, à energia solar fotovoltaica, que contribuiu com cerca de 47% da nova potência instalada, seguida da energia eólica (mais 34%) e da energia hidroeléctrica (mais 15,5%). O contributo do crescimento das renováveis para a descarbonização da humanidade é, naturalmente, destacado pela REN21.

“As emissões globais de CO2relacionadas com o sector energético provenientes dos combustíveis fósseis e da indústria permaneceram estáveis pelo terceiro ano consecutivo, apesar do crescimento de 3% na economia mundial e da procura crescente de energia. Isto pode ser atribuído principalmente ao declínio do carvão, mas também ao crescimento da capacidade de energia renovável e das melhorias na eficiência energética”, lê-se no citado relatório.

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